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Escrito por Rhamza Alli   

rhamza_alli.jpg Uma menina nascida em uma comunidade árabe, é apresentada ao que é conhecido no ocidente como “dança do ventre” quando de sua menarca. Nesta ocasião, ela é retirada de seu mundo infantil (brincadeiras na rua, etc), e iniciada em diversos movimentos e exercícios que têm como objetivo o fortalecimento de seus órgãos reprodutores, músculos abdominais e internos das coxas, a fim de desenvolver um corpo forte para gestações tranqüilas, partos naturais e menos dolorosos. Esta é a original função da dança.

Antes de se tornar “mulher” os órgãos reprodutores ainda não estão em funcionamento e muitas mudanças ainda acontecerão. Os exercícios da dança do ventre atuam principalmente nestes órgãos trabalhando contrações de diversos pontos que podem interferir no desenvolvimento e na maturidade sexuais da menina.

Além disso, os movimentos ondulatórios e sensuais influenciam diretamente o psicológico da criança. A sexualidade e sensualidade têm seu tempo de acontecer e fluem naturalmente com a puberdade, força-las a acontecer, mesmo que inconscientemente, pode trazer sérias conseqüências.

O fato de a dança ter se aberto ao ocidente não nos dá o direito de atropelarmos uma cultura milenar e expormos nossas meninas à prática de exercícios só destinados à mulheres. O fato de a televisão mostrar crianças executando uma suposta dança do ventre não significa que isso seja bom ou benéfico, ou sim?

As antigas tradições têm sua razão de ser, os movimentos da dança do ventre são muito eficientes e benéficos, mas, mal direcionados podem causar sérios danos ao funcionamento dos órgãos abdominais (reprodutores, digestivos, respiratórios), além de outros causados por qualquer exercício errado: coluna, ligamentos, articulações, etc.

Tudo na vida tem seu tempo, a gente espera para usar salto alto, maquiagem, para tirar carta de motorista, enfim... A dança do ventre também tem sua hora: é a partir da puberdade, criança é criança, a infância dura tão pouco, para quê encurta-la?

Rhamza Alli, 35, neta de sírios, criada dentro das tradições árabes, se dedica integralmente à prática e estudo da dança do ventre desde 1985. Morou em São Paulo de 85 a 96 integrada à comunidade árabe e às primeiras manifestações desta dança no Brasil. Morou dois anos fora do Brasil entre Europa e Estados Unidos estudando com as maiores personalidades no assunto.

Em Nova York estudou com a médica Gaby Oeftering especializada em “Dança do Ventre, Gestação e Parto” com quem ampliou seus conhecimentos quanto às consequências físicas e patológicas da prática da dança do ventre.

Pratica diariamente balé clássico, estuda o funcionamento e formação dos músculos a partir de um esqueleto bem colocado e entende a dança do ventre como a “dança das mulheres do mundo”.

Desde 1996 reside em Londrina e dirige uma Escola de Dança do Ventre onde desenvolve um trabalho único de formação de novas bailarinas. A Escola também proporciona a prática da dança com fins de entretenimento, condicionamento físico e auxílio terapêutico.

Artigo publicado originalmente em www.conexaodanca.art.br

http://rhamza.multiply.com

http://www.rhamza.com.br

rhamza@rhamza.com.br

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