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Direto surgem comentários sobre o "pau" que as amadoras costumam dar nas profissionais em concursos e shows por aí. Não resisti e precisei dar meu pitaco...
Quem disse que você é profissional?
Num adianta falar em pré-seleção da KK ou D.R.T., a bailarina faz uns dois ou três aninhos de aulas (1 ou 2 vezes por semana), começa a dar aulinhas, fazer showzinhos e puxa, já é profissa!
O ato de se auto-intitular profissional é o meio mais comum de se tornar uma. O ego é tão grande que a pessoa não consegue se avaliar com imparcialidade e acha mesmo que dança o suficiente. As que sabem que não têm qualidade nem ligam, porque o mais importante é dizer que é. A falsa fama, os falsos louros são ilusões confortáveis e temos dois pontos que ajudam e proliferar a falta de noção:
1. O meio incentiva a falta de profissionalismo: É fato, a maioria dos músicos, bandas, escolas de dança, produtores de eventos do meio e formadores de opinião, visam apenas o lucro e a auto-promoção. Não se preocupam em manter um alto padrão de qualidade entre as bailarinas e qualquer uma acaba se achando capaz de ser profissional.
Dá trabalho ser exigente e trabalhar com pessoas exigentes. Afinal de contas como alguns contratantes não pensam em nada que ultrapasse seus umbigos, preferem ficar pagando cachezinhos e salários horrendos para bailarinas ruins do que 'aguentar' as exigências das profissionais qualificadas. Consequência, o nicho será seeempre nicho.
2. Nossos sistemas de avaliação não têm credibilidade: Esse segundo tópico é pura consequência do primeiro. Nossos concursos não têm credibilidade pois a deficiência nas avaliações e a desorganização comprometem os resultados, os 'selos de qualidade' você pode comprar facinho facinho, nosso D.R.T. é aquela vergonha e as escolas mais populares (não disse melhores) contratam alunas para darem aulas sem nenhuma estrutura ou maturidade.
Consequência disso?
Vamos em eventos e nos deparamos com a medonha realidade que é a dança profissional brasileira. Professoras despreparadas 'formam' bailarinas que não passam de cascas vazias e não sabem orientar suas alunas sedentas pela profissionalização. Falta de critéééééérios, é esse nosso problema!
Essas 'profissionais' NÃO estão preocupadas com qualidade e não têm noção do que é ser BAILARINA PROFISSIONAL. Meeeu, ser bailarina é ralar muito, suar muito, pegar no pesado, estudar mesmo. Sentir dor, criar calos, cuidar do corpo e da mente... 2 ou 3 aulinhas por semana não dá merito a ninguém e é bem menos do que a sua obrigação.
TEEM que treinar TOOODO dia, fazer aulas de outras danças que te dêem a base técnica que a dança do ventre ainda não tem. TEEM que ler muito de dança, antropologia, sociologia, anatomia, fisiologia, filosofia, arte, história, música, psicologia, educação e uma série de outras coisas que ajudam você a perceber a importância do seu papel no mundo.
TEEM que gastar dinheiro com aulas sim, tem que investir no seu conhecimento, dane-se se você ganha pouco, é a sua obrigação já que você se diz profissional. Que p$#@% é essa de achar que dançar é fácil?
Outra coisa que me irrita são os 'Cursos Profissionalizantes' de uma vez por mês, que eu também ministro e que o povo participa só pra dizer que faz aula com a fulana. O resto do mês num faz nada, ou acha que faz. Agora me digam, vocês acham mesmo que vão evoluir fazendo um dia inteiro de aula uma vez por mês???? Isso é pre-gui-ça. Esse tipo de curso é apenas um aperfeiçoamento, um detalhe no seu aprendizado, nada mais. O que vai fazer você evoluir mesmo é o treino diário, sem moleza. Acha que eu estou pedindo demais? Então fique aí na mediocridade pra sempre.
Fora da realidade...
A minha eterna insistência em fazer com que a bailarina de Dança do Ventre estude outras coisas, é, entre outros motivos, para que ela conheça a verdadeira realidade do que é o mundo da dança profissional. Como alguém sabiamente comentou neste Blog, ‘a Dança do Ventre deixa a gente mal acostumada...’ Isso é a mais pura verdade! A gente não faz idéia do que é ralar pra caraaaaaaalho pra dançar direito. Entrar na sala e dar o seu máximo e lutar todos os dias com todas as suas armas pra conseguir um bom resultado.
Quem nunca viu uma profissional que não alcança o próprio pé e acha que bailarina de Dança do Ventre não precisa ter um bom alongamento? Certa vez quase morri quando ouvi outra profissional dizer: “Ai Luana, por mim eu faria aulas com você, sou mil vezes a sua aula do que a aula da Fulana, mas eu preciso fazer aulas com ela por que fico sabendo mais do que está acontecendo no meio! I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L. A questão não é preferir a minha aula ou de outra pessoa, a questão é que a prioridade das profissionais muitas vezes não é a dança, é o ‘bom relacionamento’.
Solução utópica!
Para que esses problemas sejam resolvidos, precisamos mesmo é de uma reformulação geral. Por isso a utopia, já que precisaríamos do esforço conjunto dos expoentes do meio para mudarem a realidade, o que é praticamente impossível. Os expoentes agem exatamente como o governo: Querem mais é que os bailarinos sejam mediocres e mal informados para que continuem dando dinheiro fácil pra eles, não questionem e não atrapalhem os planos. Afinal se os bailarinos começarem a pensar e dicutir, eles vão ter que começar a trabalhar direito e isso é muito desgastante!
Não podemos nos contentar com pouco, temos que elevar em todos os sentidos nossos padrões de exigência. Só assim vamos ter o direito de reclamar quando aparecer algo ruim. Elevar os padrões vai desencorajar as pessoas despreparadas a se posicionarem como profissionais e teremos uma Dança do Ventre cada vez mais bem representada.
Amadoras
Por isso as amadoras arrasam sempre. Estão lá ralando diariamente pra crescerem como bailarinas. Podem até ter a pretensão da profissionalização, mas estão mais preocupadas em aprender do que em ser.
Tenho dois exemplos pra citar que acompanhei de perto, a Hadara Nur e a Isabella Marchioro. Fui professora da Hadara, logo que ela começou a dançar e a sua dança sempre foi muito boa. Metade era talento, metade era garra. Eu me lembro muito bem que quando ela se inscreveu para o Mercado Persa de dois mil e alguma coisa, rs, na categoria amadora, ela treinou muuuuito. Chegava na escola antes de mim e eu mesma não aguentava mais ouvir aquela música.
Ganhou o primeiro lugar, disparado e merecido, dançou melhor que a maioria das profissionais, porque lutou... muito. Não sei como continua a rotina de treinos da Hadara, mas na época que eu acompanhei, eram diários.
A mesma coisa aconteceu com a Isabella em 2006. Ganhou o primeiro lugar com muito mérito e deixou algumas profissionais no chinelo. Por que ralooooou também, não só pro concurso, mas sempre... As duas têm em comum talento, disciplina e treino, com ou sem um concurso em vista.
Enquando as amadoras estão nervosas e preocupadas ensaiando nos bastidores antes de entrar pra concorrer, as profissionais estão se alfinetando e falando mal de tudo e todos... Profissional não é apenas dança, é postura, comportamento e intelecto... Mas eu tenho fé, tenho meeeesmo, que mudaremos esse quadro!
Dêem suas opiniões nos comentários!!! Vamos discutir maneiras de alterar essa realidade! Sua opinião é MUITO importante para a evolução de todos os bailarinos!
Artigo publicado originalmente em http://www.dancadoventre.art.br/
Luana Mello
Bellydancer
Dança do Ventre e Danças Exóticas
www.luanamello.com.br
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