| Aulas de Dança do ventre |
| Escrito por Cassia Pires | |||||
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Eu tenho dois segredos sobre ela. 1) Eu comecei mesmo no ballet porque busquei aulas de dança do ventre. Encontrei as duas no mesmo estúdio. Uma me levou a outra, especialmente porque uma aula era depois da outra. 2) É a única dança em que sempre recebi mais elogios do que críticas das professoras. A dança do ventre é aquela dança que todo mundo acha que sabe, até o dia em que faz uma aula. Cansei de ver mulheres se achando, como se bastasse mexer o quadril. Ledo engano. É necessário muita dedicação e estudo para alcançar um nível técnico satisfatório. Eu fiz aulas durante um ano e me surpreendi com a grade curricular. Movimentos básicos, batidas, oitos, camelos, redondos, shimmies (os tremidos de quadril), véus (simples, duplo, sete, wings), snujs, pandeiro, taças, punhal, candelabro, bastão, espada. Dessa lista, na sequência, eu cheguei até o pandeiro. Sem falar em todos os desdobramentos das danças folclóricas. É um vasto campo de estudo. Tenho um respeito profundo pela dança do ventre e pelas professoras que tive. Foram três fixas e algumas esporádicas. Nunca ouvi um grito, uma impaciência, um desmerecimento. Nada. Nem comigo, nem com as demais alunas. Também nunca vi mulheres dizendo que estavam gordas, mesmo quando estavam acima do peso. Pelo contrário, o mais comum é vermos o resgate da autoestima, todas se sentindo lindas entre brilhos e vidrilhos, em paz com o próprio corpo e com o que ele é capaz de fazer. Particularmente, eu acho muito difícil conciliar ballet clássico e dança do ventre. A primeira pode auxiliar a segunda, mas raramente alguém será boa nas duas. Enquanto no ballet a base é a coluna vertebral e tronco e quadril formam um bloco indissociável, na dança do ventre é o contrário. O quadril é praticamente um ser independente do corpo, ele manda na história, enquanto que no ballet ficamos alinhadas o tempo todo. Sofri um bocado até entender como cada uma acontece. Infelizmente, há um grande preconceito em relação a essa dança. Quem faz ou já fez, sabe: basta comentar com alguém e escutamos um “Dança aí para a gente ver”. Ou então ouvimos um “E aí, já dançou para alguém?”. Dança do ventre não é striptease. Poupe-me. Além disso, por mais que estudemos, as pessoas notam outras coisas. Ou o nosso corpo. Ou as bijuterias. Ou o belo figurino. Ou “o poder do nosso quadril” (eu já ouvi isso!). Mas nós, que estudamos com afinco, sabemos enxergar a dança de fato. Eu parei em 2008 e até hoje entendo o que vejo. E continuo achando incrível. Esta é a Jillina, bailarina de dança do ventre. Era ela a minha maior inspiração. Dim lights Embed Embed this video on your site Quem quiser mais informações, acesse o Cadernos de Dança, aqui.
Publicado originalmente em http://dospassosdabailarina.wordpress.com/2010/09/10/danca-do-ventre/.
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Cassia Pires iniciou suas aulas de ballet e dança do ventre aos 28 anos. E aqui neste artigo compartilha conosco um pouco de suas experiências, contando sobre a dança do ventre, que segundo ela é sua dança mais querida depois do ballet.





















