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Essa é a primeira de uma série de três posts que estou desenvolvendo. ‘O papel da arte’, ‘O papel do bailarino’, ‘O papel do professor de dança’. Minha intenção é abrir com vocês minhas reflexões e conclusões sobre cada um, e saber também, o que outros profissionais e aspirantes a profissionais pensam a respeito.
Minha história
Minha carreira começou sem que eu me desse conta. Quando vi, dava aulas todos os dias da semana e fazia de dois a quatro shows a cada final de semana. Assim, entendi que era bailarina profissional. Mas até então, cabecinha pequena que era, achava que ser profissional era: dar muitas aulas, fazer muitos shows, viajar muito a trabalho e estudar muita dança. Ter meu nome em dvd’s, cd’s, eventos, encher a caixa postal alheia de auto-promoção e ser sempre conhecida nas festas do meio.
Só que a hora de sentir o vazio chegou com muita força, foi quando percebi o quanto tudo isso era temporal e superficial. Ilusão. O que deveria estar por trás de tudo aquilo? Para que servia a minha dança além de entreter pessoas e fazer com que festas chatas se tornassem mais divertidas?
Com isso veio uma reformulação na minha vida. Nada mais de shows, eles não faziam mais sentido. Estudar tanto pra ser vista como um pedaço de carne que rebola ao som da música? Nunca mais. E os shows do nicho perderam a graça quando me dei conta de que não queria me relacionar mais com aquelas fofocas e diz-que-diz-ques. Eu conhecí muita gente legal no meio da dança. Amigas e amigos que vou levar pra sempre no coração, mas vou dizer uma coisa, por mais que seja cruel, a maioria num é assim não. Já passei por cada uma em camarins que vocês num fazem uma idéia. A eterna guerra dos egos e a cegueira da vaidade.
A busca pelo sentido da dança
Continuando... Sentia que meu trabalho como bailarina não tinha valor. “Ah que lindo, sua dança foi linda, você dança muito, lá lá lá”, mas era tudo esquecível, tudo mais do mesmo. E daí me veio pela primeira vez a pergunta que me vem todos os dias: O que eu quero fazer da minha profissão? Pergunto isso pra vocês também, o que querem fazer da profissão de bailarina?
Sei que a ilusão da fama e o sonho de se livrar do anonimato (como diz minha amiga Maira Magno, a vontade de ser Diva, rs) são alguns dos fatores que levam muitas meninas a tentarem a carreira de bailarina profissional. Elas sonham com uma comunidade só pra elas no Orkut, rs, sua carinha em folders e jornais de dança...
Outras realmente se apaixonam pela dança e sentem, como eu, que não vivem mais sem isso. Mas qual a função do nosso trabalho? Só subir num palco e dançar? Pra mim o bailarino tem que buscar mais que isso, seja qual for o estilo que ele pratique. Como todo artista ele deve fazer arte, não uma cópia de tudo o que já existe. Por isso sempre busco assistir bailarinos que estejam atrás da sua personalidade com uma dança autêntica.
O bailarino como artista
Na minha opinião, um bailarino sem personalidade não é um artista. E personalidade não se resume apenas em usar roupas com a sua cara ou usar músicas diferentes. Construir uma dança com a sua cara é algo que exige muito estudo, muitas reflexões e muita coragem de enfrentar as críticas.
A definição de arte é algo que varia com o tempo, porém é sempre uma forma de expressão. Mesmo que sua finalidade seja entreternimento ela deve transmitir e comunicar algo, nem que seja uma sensação abstrata do artista. O que nossa dança comunica ultimamente? Fiquem à vontade para me malhar, mas pra mim só comunica ego, ego, ego e a necessidade incrível de aparecer. Claaaaaaaaro que existem casos isolados, que são exceção, mas eu estou falando da maioria que é quem propaga a dança.
Não digo que dança em bares ou festinhas precisam de todo esse contexto mas a dança de palco sim! Precisa ser mais artística, seguir um conceito. Sinto falta de assistir algo estudado além da coreografia. Algo embasado, que transmita um pensamento ou um momento em especial que o artista esteja vivendo. Algo que ele esteja estudando, alguma coisa que o tenha apaixonado. Enfim, algo mais do que um desfile de duns e tacs muito bem coreografados.
Quero me emocionar, sentir, ter uma nova experiência... Quero que o bailarino, além de bailarino seja intérprete de algo, de alguém ou de si mesmo. A busca pela sua própria arte não é a mesma coisa que a busca pelo seu estilo. A busca pela arte, intelectualmente vai um pouco além.
E vocês, o que pensam a respeito?
Artigo publicado originalmente em http://www.dancadoventre.art.br/
Luana Mello
Bellydancer
Dança do Ventre e Danças Exóticas
www.luanamello.com.br
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