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A Dança Oriental, a natureza e a maternidade PDF Imprimir E-mail
Por Sara Naadirah   
sara_naadirah.jpgArtigo escrito pela bailarina e professora portuguesa Sara Naadirah, onde nos fala da relação da Dança do Ventre com ser mulher e ser mãe.

“Em muitas comunidades primitivas, as principais provedoras de alimentos eram as mulheres; eram também construtoras, artesãs, enfermeiras, dirigentes, além de criadoras de vida. Sente a tua ligação com essas mulheres; reconhece nelas as tuas raízes”
Autor desconhecido
                                                                            
A dança Oriental é a dança mais antiga que conheço, nasceu da mulher como uma dávida da Grande Mãe.

Ao longo da minha experiência com esta maravilhosa dança apercebo-me da relação profunda entre esta e as nossas vidas como mulheres, e a grande ligação entre o nosso corpo e a Terra. Por mais séculos que passem, influências e transformações, uma coisa irá sempre permanecer nela: a bela e misteriosa expressão feminina.

Ela é intemporal e universal. Acredito que as necessidades emocionais básicas das mulheres dos nossos antepassados, sejam aqui no Ocidente ou Oriente continuam as mesmas, desde sempre, que a Mulher dá à luz, quer ser bela, quer dar amor, ser amada e luta pelo respeito do simples fato de ser mulher.

A palavra “natureza” vem da palavra “natura” que significa nascimento. Esta dança celebra o fato da mulher poder ser mãe, e muitos estudiosos nesta área chegaram à conclusão que se realizavam movimentos específicos (que ainda hoje se utilizam na dança), em rituais para quando alguma mulher estaria a dar à luz.

Uma grande bailarina de Dança Oriental, Morocco, teve a oportunidade de assistir a um ritual destes ainda nos dias de hoje numa tribo no norte de África, tendo ficado fascinada com o poder que esses movimentos contêm e ficado esclarecida acerca da sabedoria do fato destas tribos tirarem partido da Dança, para celebrar um nascimento.

Não é por acaso que é chamada Dança do Ventre, há uma ligação profunda entre a zona pélvica e abdominal da mulher, a dança e a Terra (natureza).

Delilah, uma outra bailarina, quando estava na sua segunda gravidez, percebeu o quanto era mágico e bom a nível físico e psicológico dançar carregando uma vida dentro dela. No seu trabalho “A Labor of Love" descreve o quanto se sentiu poderosa, bela, realmente feminina enquanto atuava já com uma gravidez avançada.

Isso causa-nos imensa perturbação, mas se analisarmos as tribos, que ainda hoje existem vagueando pelo deserto, a viverem no meio do aparente “nada”, apercebemo-nos do quanto é belo e natural estar à espera de uma vida. Lembrando-nos que tudo vem da Terra e para ela retornará (ciclo da vida – nascer, viver, morrer).

A ligação forte que estas mulheres têm com a natureza aceitando tudo o que vem dela como uma bênção divina, faz com que as suas danças sejam algo descontraídas, divertidas e mágicas. Vivem intuitivamente, onde os ritmos e a dança as fazem estar mais próximas de algo superior e incompreensível.

O nosso constante afastamento da natureza, faz esquecer essas raízes e essa ligação. A Dança Oriental por ter essa herança incumbida nos seus movimentos, relembra-me de onde viemos e para onde vamos, celebrando em cada movimento o simples fato de fazer parte de um Universo.

Sara Naadirah
Professora e bailarina de Dança do Ventre em Portugal
www.saranaadirah.com
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