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Nar

 

 

 

 

 nar entrevista

 

 

 

1. Você já acumula muitos anos na profissão de Dança do Ventre, mas como foi que você começou a fazer aulas e depois como ela se tornou sua profissão?
Comecei a fazer aulas de dança do ventre por influência de uma amiga. Ela me convidou para acompanhá-la em sua aula e eu adorei. Fiz um ano de aulas, não faltava em nenhuma, fiquei apaixonada! Então surgiu a oportunidade de participar do I Concurso Nacional de Dança do Ventre, promovido pelo Oriente Encanto e Magia (o Mercado Persa nem existia ainda!) . Eu me inscrevi sem nenhuma intenção, apenas para experimentar. Só que fui classificada entre as 5 primeiras! E neste dia, tinha uma pessoa na platéia que buscava bailarinas para comporem o quadro de profissionais para atender a um projeto de dança árabe nas redes de fast food árabe, como Esfiha Chic, Beduíno Árabe, Habib´s, etc. Ele me convidou e assim comecei a trabalhar com dança. Foi um período muito rico para nós, bailarinas. Trabalhávamos de segunda a segunda, a dança árabe ganhou uma super projeção e os shows começaram a fervilhar. Logo em seguida, comecei a dar aulas, em uma sala alugada ao lado da minha casa.

 

 

 

 

2. Você idealizou e administrou a Nar Cia de Dança e Arte por 10 anos. Conte-nos um pouco como foi que começou.
Bom, quando aluguei esta sala ao lado da minha casa, eu trabalhava o dia todo, fazia faculdade a noite, dava aulas e ainda fazia os shows. E assim fui construindo minha relação com as alunas. Depois terminei a faculdade; com as noites livres, ampliei muito meus horários de aulas. Logo depois fiquei um tempo desempregada e comecei a dar aulas em diversos espaços de danças, academias, clubes. Enfim, quando vi, tinha muitas alunas e vivia me deslocando por São Paulo, de espaço em espaço. Muitas vezes levando roupas, acessórios, cd´s que as alunas encomendavam. Foi aí que vi que estava na hora de montar minha própria Academia. Procurei um ponto, investi no local e assim nasceu a Nar Cia de Dança e Arte.

 

 

 

3. Quais foram as maiores delícias deste período? O que você aprendeu?
A maior delícia de todas é ver a influência que a dança tem na vida das pessoas. Cada passo aprendido, cada desafio superado, cada aluna que se apresentava no palco nos espetáculos de final de ano, isso é impagável! Ver que você fez a diferença na história de alguém, que você a ajudou a se encontrar, a se sentir uma pessoa importante, a recuperar o amor próprio, é demais! O que eu aprendi? Que na vida não existe garantia de nada. O que vale é estar feliz, fazer o que te satisfaz e prezar a qualidade de vida, achar a medida entre dinheiro x trabalho x família x prazer.

 

 

 

4. E quais foram as maiores dificuldades?
A dança que era minha paixão, meu lazer, passou a ser meu ganha-pão. Aquilo que é composto de tanta emoção, de respeito ao próximo, do tempo de cada aluna, da liberdade de expressão, do abstrato, tinha que conviver harmoniosamente com o lado comercial, material, concreto. O negócio Nar Cia de Dança e Arte, enquanto empresa, tinha que ter rentabilidade, se pagar, se sustentar. Difícil fazer esta mistura sem perder o lado artístico. Difícil ser artista e empresária. Era segurar o touro a unha, matar um leão por dia. Quando neste cenário entrou também a maternidade.... puxa, que aperto! Muitas facetas em uma única mulher... O mundo exige muita força de nós, mulheres!

 

 

 

5. No final do ano você apresentou o espetáculo Danças do Mundo, que selou o encerramento das atividades da Nar Cia de Dança e Arte. Como foi encerrar este ciclo?
Foi um processo, que aconteceu durante um grande período. Quando o ciclo se encerrou eu estava bem preparada, já tinha feito de tudo, experimentado todas as possibilidades. Enfim, esgotei todos os recursos, emocionais, comerciais, pessoais e financeiros. Por isso, acho que foi tranqüilo. No dia do espetáculo me emocionei bastante. Olhava para tudo aquilo e pensava: puxa, quanta coisa eu realizei! Um filminho passou pela minha cabeça. Mas foi gostoso, não foi um pesar. Ciclos tem que se encerrar para permitirmos que outros possam acontecer....

 

 

 

6. Eu tive o prazer de assisitir ao espetáculo Danças do Mundo em dezembro de 2011. Como foi a idealização do espetáculo de juntas várias danças diferentes? Como foram os preparativos?
Os espetáculos da Nar Cia de Dança e Arte, inclusive o “Danças do Mundo”, sempre foram construídos por uma equipe. Embora eu idealizasse e amarrasse os espetáculos, os grandes realizadores eram os professores, responsáveis pelas coreografias, figurinos, trilha sonora. Além da minha equipe de bastidores – staff, marketing, designers, filmagem, foto, operadores de luz, som, etc etc. Nós nos reuníamos em junho para definir o tema e eu dava todas as coordenadas, com prazos para entrega de músicas, figurinos, coreografias, material cênico, imagens para projeções, textos para narrações, etc. Na verdade, mais da metade do ano era dedicado ao espetáculo de encerramento. Nós sempre buscávamos trabalhar com um tema que pudesse abranger todas as modalidades que oferecíamos na NCDA e ao mesmo tempo dar uma certa liberdade de criação ao professor. Por isso “Danças do Mundo”.

 

 

 

7. Você é bailarina, professora, coreógrafa, e durante 10 anos também foi coordenadora do Nar Cia de Dança e Arte. Como é conciliar todos estes papeis profissionais?
Como eu disse em uma das perguntas acima, muito difícil. Aliás, acho que a maior dificuldade. Porque existe sempre o risco de você se dedicar mais a uma coisa do que a outra e acabar por deixar algo deficiente. Mas é um desafio. Com dedicação e prazer pelo que se faz, dá para conciliar.

 

 

 

8. Já tive oportunidade de ver você dançar algumas vezes ultimamente e em várias delas encontrei seus pais na plateia. Como é ter o apoio deles? Foi assim desde que começou a dançar?

Sempre, desde que eu nasci! Rsrsrs Meus pais são meu porto seguro, me dão o maior apoio em tudo. Com a dança então, nem se fale. Na primeira sala que eu aluguei para dar aulas foi assim: um dia cheguei lá e a sala estava toda arrumada, preparada e decorada. Pronto, surpresa dos meus pais! Rsrsr. Ih, minha mãe ia comigo em TODOS os shows! Sem exceção! E ela curtia demais! Ter o apoio deles é o combustível que me fez chegar até aqui. Também é o que me dá coragem para encerrar este ciclo e começar outro, diferente.

 

 

 

9. Fazia tempo que não via você e seu irmão Tárik em cena, mas no espetáculo Danças do Mundo pude matar esta saudade. Impossível não se emocionar vendo vocês dois. Como é o processo coreográfico e os ensaios de vocês? Em cena vocês também se emocionam como a plateia?
Eu e o Tarik temos uma super sintonia. Raramente ensaiamos. Nós idealizamos a dança, damos uma passada no que será a apresentação e pronto. A gente se entende no olhar. Sempre foi assim.... Quando estamos dançando, eu sinto mais a minha conexão com ele do que a platéia em si. Mas o retorno que temos do público é sempre maravilhoso, de muita admiração e satisfação. O Tarik é uma pessoa tão carismática e artística, com uma energia tão gostosa e do bem; acho que todo mundo que dança com ele tem este sentimento. Ele é sempre um presente para a bailarina.

 

 

 

 

10. Algo que há tempos penso sobre a Dança do Ventre é que a vejo como uma combinação da técnica com a expressividade. Caso você a veja desta mesma forma, quais seriam as maneirras de desenvolver uma e outra na dança?
Concordo com você, mas eu diria que nesta combinação o peso maior é da expressividade, da interpretação. A técnica se aprende, umas com mais dificuldade, outras com menos, mas TODAS aprendem. A professora tem domínio sobre esta parte. Mas quanto a expressividade, a professora tem um limite. Ela pode usar de todas as suas ferramentas e vários exercícios para aflorar as emoções da aluna, mas quem libera essas emoções é a aluna. Por isso, tem a ver com a pessoa em si, sua história de vida, seu psicológico, suas travas, seus princípios e conceitos. E no final das contas, quando você vai assistir a um show de dança do ventre, a bailarina que fica registrada na sua memória é aquela que mais te emocionou, aquela que mais se entregou, aquela que mais se expressou. Não é?

 

 

 


11. No meio do ano de 2011 você organizou o processo seletivo de bailarinas do Restaurante Jaber. Conte-nos um pouco como surgiu a ideia deste processo seletivo, como ele ocorreu.
A alguns anos atrás fui convidada pelos proprietários de uma das unidades do Restaurante Jaber para integrar a equipe de danças da casa. Trabalhei lá durante alguns anos quando então infelizmente esta loja do Jaber encerrou suas atividades. A Andrea Barufi, uma das proprietárias, e eu fizemos uma boa amizade e ficávamos lembrando saudosas daquele tempo, só na expectativa de revivê-lo.
Em maio de 2011 recebi um convite da Andrea para reorganizar a dança no Jaber, mas agora em grande estilo, em novo local, totalmente adaptado para receber a dança e realizar lindos shows. Aceitei o desafio! Mas para começar com a força que o projeto merecia precisaríamos ter uma forte equipe, de boas bailarinas, para serem o cartão de visita do Jaber. Assim surgiu a idéia e a necessidade de fazer um processo seletivo. E realmente, hoje o Jaber conta com uma equipe incrível!

 

 

12. E quais são os planos para 2012?
Em 2012 quero retomar e me dedicar ao meu lado professora de dança e bailarina. Quero vivenciar meu lado criativo e artístico, estava muito carente disso tudo. Além disso, tenho um projeto com um novo formato de aulas de dança do ventre que quero apresentar as alunas e lançar no mercado. Mas ainda está em fase de teste, vamos experimentar....

 

 

 

13. Se você pudesse descrever a Dança do Ventre como descreveria?
Um caminho para o auto-conhecimento. Uma oportunidade de experimentar muitas sensações a flor da pele. Um desafio do corpo e da alma. Mesmo que você entre em contato com a dança do ventre por qualquer outro motivo ou com qualquer outra intenção, inevitavelmente ela vai te levar para um olhar para você mesma. Algumas se olham.... outras fogem....

 

 

 Nar
 www.nar.com.br

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