| Juliana Marconato |
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1) Quando e por que você começou a praticar a Dança do Ventre? Conheci a dança aos 12 anos com uma professora que havia morado em Chipre, no Egito, e trouxe a Dança do Ventre pra cidade onde eu nasci, Araraquara, interior de SP. Minha mãe me contou esses dias um fato interessante que nem eu lembrava mais: com 12 anos, a primeira vez que vi a Dança do Ventre meu coração disparou, é como se existisse uma certeza dentro de mim que "era aquilo mesmo". Quando cheguei em casa minha mãe relata que eu chorava e dizia apenas que era muito lindo, que não tinha explicação, parecia um reencontro. Desde então nunca mais deixei a Dança do ventre. Hoje tenho 25 anos e não pretendo deixar a dança até meus 90, se eu chegar lá rs. 2) Fale-nos um pouco sobre a sua trajetória profissional na Dança do Ventre. Naquela época não tínhamos muita informação como hoje em termos de dança. Hoje uma aluna aprende em 1 ano a técnica que levei 5 anos para desenvolver. Tive dificuldade sim, tenho umas fitas antigas que parecem uma comédia, pois estava completamente descoordenada. Brincamos muito com isso hoje em dia. Quando terminei o ensino médio, inaugurei o Núcleo de Dança Juliana Marconato. Muito simples na época, mas muito aconchegante. Entrei na Faculdade de Fisioterapia, mas com a certeza de que aquela formação seria para direcionar melhor minhas aulas de dança. Foi maravilhoso, estudei anatomia, fisiologia, cinesiologia e tudo de bom que a fisioterapia pode oferecer, aproveitei para aprimorar as aulas desenvolvendo um trabalho de reeducação postural. Deu certo. Na mesma época que entrei na faculdade conheci Adriano (meu marido) que Graças a Deus amou a dança e foi a pessoa que mais me deu força e coragem para ir em frente. Hoje em dia trabalhamos juntos, ele com a parte de contabilidade, administração e vendas e eu com a parte artística e com o ateliê de roupas para Dança do Ventre. Estudei muito por vídeos na época, fiz aulas com Lulu Sabongi (que é realmente um exemplo de conhecimento e dedicação na dança). Dancei para a banca examinadora da Khan El Khalili em 2003 e Graças a Deus em 2004 já passei a fazer parte do elenco Harém da Casa de Chá. Levei muitas broncas e correções do Jorge, e aprendi muito nesses anos de Khan El Khalili. Meu trabalho nunca seria o mesmo sem a honra de fazer parte desse ambiente. Hoje em dia recebo recados carinhosos de pessoas de todo país e do mundo parabenizando e elogiando o trabalho que desenvolvemos, isso é realmente um privilégio. Ainda existem muitos mitos relacionados à Dança do Ventre, mas acredito que cada vez mais as pessoas entendem a conotação artística da dança.
Famílias reunidas pela dança, alegria, felicidade. Trabalho constantemente para desmistificar a idéia de Dança do Ventre como algo vulgar. Muito pelo contrário, é uma dança chiquérrima, que exalta toda beleza , feminilidade e doçura presentes em cada uma de nós. Fico feliz em divulgar a dança com seriedade, retirando essa imagem distorcida da mente das pessoas. Hoje posso afirmar sem exagero que a Dança do Ventre é minha vida, pois não me vejo mais sem ela. Trabalho das 8:00h as 22:00 todos os dias sem finais de semana, com a dança e pela dança. Quando não estou como bailarina, estou como professora, coreógrafa, ou como coordenadora desenhista dos modelos do ateliê, etc. Resumindo eu respiro dança! E cada vez que olho nos olhos de uma aluna, sei que estou fazendo a coisa certa. Cada vez que nos emocionamos no final de cada aula, durante nossas mensagens, sei que vale a pena qualquer esforço. Cada vez que ouço uma história de alguém que ficou mais "segura", "bonita", "feliz" com a dança meu coração se enche de alegria e a vida toma um sentido mais profundo. Aqui em Araraquara a Dança do Ventre tornou-se um estilo de vida, uma filosofia de vida. A auto- estima, o desenvolvimento e crescimento pessoal, o companheirismo, as reflexões, os aprendizados, as mudanças, as experiências, cada segundo me faz respirar a dança. Ser professora me ensinou a respeitar o tempo do outro, a respeitar o espaço do outro. Fez-me adquirir firmeza, mas com doçura. Fez-me ver a vida mais colorida e enxergar o potencial das pessoas. Por todos os lugares onde passei, sei que ficou um pouquinho desse amor puro que desenvolvi pela arte. E o carinho das pessoas, o amor de minhas alunas inunda meu coração de força para continuar. Eu sou completamente doida, apaixonada por minhas alunas. Somos uma família, e a cada dia aprendemos a respeitar um pouco mais a nós mesmas e nossos familiares. Para mim a dança é uma linguagem não verbal, conversamos sem dizer uma palavra, é expressão, é sentimento, é força, é doçura, é beleza, feminilidade. É a face mais clara e pura do que é ser mulher. Costumo dividir a dança em fases, onde primeiro aprendemos os passos, depois aprendemos a misturar uma coisa na outra, depois aprendemos a colocar tudo isso na música na hora certa, e então chega o momento mais importante que é colocar suas características particulares na dança, sua expressão seus olhos, seu sorriso. É realmente algo mágico. E a dança não é uma prática para poucos meses, é sim, algo para a vida toda, pois nunca paramos de aprender de desenvolver nossas habilidades, de conhecer a nós mesmas em diferentes fases de nossas vidas. Para mim, Dançar é além de tudo isso, um ato de agradecimento à vida e às Forças Superiores. Foi uma época excelente em minha vida, conheci pessoas do mundo todo lá em Cardiff Walles (que fica a 2h de Londres) onde permaneci 2 meses. Foi muito bom, dei aulas, dancei muito em festas e em uma rede de Restaurantes Mezza Lunna de um árabe chamado Nawfal. Mas voltei com a certeza de que não quero deixar o trabalho que iniciei aqui no Brasil. Ir para o exterior é uma boa experiência, mas no meu caso que já estou completamente "enraizada" fica difícil estar por muito tempo fora, a não ser com viagens rápidas. Tenho contato com alunas de lá inclusive uma maravilhosa grega chamada Fiora, que fiquei apaixonada por sua dança, dei muitas aulas particulares para a mesma. Foi uma experiência única. Nossa! Eu gosto e admiro tantas! Mas existem algumas especiais, como Najwa Fouad, Randa Kamel, Amani, Fifi Abdu, Samia e Nadia Gamal, Saida, Jillina, Amar Gamal e tantas outras. Do Brasil adoro Lulu Sabongi, Nájua, Soraya Zaied, Carlla Sillveira, Kahina, Mayara, Malak, Juli, Nesrine, Nur, Elis, Aziza, Aysha, Polímnia Garro, Shirley Salihah (sem coméntários, uma grande amiga e companheira de trabalho), Munira, Jade, Nájua, entre tantas outras que admiro. Bonito é entender as diferenças. Tem que ser apaixonada pelo que faz. Desenvolver humildade. Pensar grande. Estudar muito. Dar tempo ao tempo para as coisas amadurecerem. O Resto é só deixar que o Universo se encarrega de trazer as coisas e pessoas certas ao seu redor. Uma boa bailarina no meu conceito é segura, firme, mas sabe se curvar e ser grata. É a flexibilidade que leva todo artista ao topo. Humildade e auto confiança. Dedicação e perseverança. Paciência e Disciplina e Amor acima de tudo. www.jumarconato.com.br
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A bailarina e professora Juliana Marconato, gentilmente nos concedeu uma entrevista onde nos fala de sua dedicação e paixão à Dança do Ventre. Confira!





















