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Luana Mello

foto11.jpg A bailarina e professora Luana Mello, ganhadora do Mercado Persa em 2006 na categoria profissional, gentilmente nos concedeu esta entrevista. Confira aqui!

1-Como se deu seu primeiro contato com a Dança do Ventre? Como ela se tornou sua profissão?


Eu tinha nove anos e minha mãe fazia um trabalho de assistência social aos sábados. Nesse período, eu ficava na sede da assistência onde davam aulas de Dança do Ventre. Depois fiz aulas com muitas bailarinas. No início da minha adolescência comecei a trabalhar com Contemporâneo e Jazz. Minha vida era passar em audições. À noite dava aulas de Ballet e Dança do Ventre.

Aos dezenove anos eu conheci a Luxor, e o Leonel Consorte me chamou para dar aulas na rede, onde fiquei por cinco anos. Larguei as outras danças e me dediquei apenas a Dança do Ventre. Depois disso passei três anos na Aluaha, ganhei o título de Campeã Brasileira no Mercado Persa - 2006 e entrei na Khan el Khalili. Hoje estou naquela fase que todo artista passa de sair em busca de si mesmo, sem se preocupar com rótulos.

2-O que te encantou primeiramente na Dança do Ventre?

Quando comecei era muito nova para entender o que me fascinava. Eu era seduzida pelos movimentos únicos que a Dança do Ventre tem. Mas anos depois entendi que o que me encanta é a capacidade que a Dança do Ventre tem de mudar a vida de mulheres de todas as idades. Trazer à tona o feminino tão massacrado no dia a dia.
3-Você teve experiências com outras técnicas de dança antes da Dança do Ventre. No que elas interferiram na sua escolha, aprendizagem e desempenho na Dança do Ventre?

Aos quatro anos já fazia Baby Class. Sou formada em Ballet Clássico pela Escola Paulista de Bailados (BEM) e em Jazz, Contemporâneo e Sapateado por escolas menores. Sou uma pesquisadora incansável de outros estilos. Estudo todas as danças que surgem na minha vida. Algumas por mais tempo, outras por menos. Agora estou na fase das Danças Japonesas.

Já estudei Street Dance, Dança Indiana, Havaiana, Dança de Salão, Samba no pé, Capoeira, Artes Circenses... Enfim, muitas coisas. Sou apaixonada pela capacidade do corpo de se movimentar de maneiras inimagináveis. Minha maior busca na vida é o movimento. Estudar outras danças me fez ver um mundo maior, me deu seriedade, disciplina e respeito. E me mostrou que estou apenas engatinhando na estrada da dança.

4- Como você definiria a Dança do Ventre? O que ela significa pra você?

A Dança do Ventre é a minha paixão maior. Sou apaixonada por todas as possibilidades de comunicação corporal, porém, ela me ganha por manter a mulher como estrela. Não castra a sensualidade feminina como outras modalidades fazem. Ela exalta a feminilidade, o que eu considero a principal característica feminina. É meu laboratório.

5- Você criou o método de ensino Evoludance.  No que consiste esse método de ensino? Por que surgiu a idéia de criá-lo?

Quero ver minhas ‘crias’ se tornarem exímias bailarinas. Tenho muita personalidade por isso resolvi criar um programa de aula que tivesse o meu estilo. O Evoludance é a união de oito anos de experiência como professora de danças com a minha formação em Magistério. Ele tem dois objetivos: Mostrar que toda mulher é capaz de dançar e resgatar o amor – próprio de cada uma delas.

6- Quais as maiores dificuldades que as alunas têm ao aprender a Dança do Ventre?

Deixar de lado a autocrítica é a principal barreira. Mas faz parte do processo. Conversa, atenção e exercícios dirigidos resolvem o problema da maioria das alunas. O importante é que a aluna esteja aberta ás mudanças. Temos que respeitar e aceitar as que ainda não chegaram nesse momento.


7- Você tem toda uma preocupação com a aprendizagem da Dança do Ventre, o que se nota pelas informações didáticas que há no seu site. Essa preocupação é freqüente na sua vida? Por que é importante pensar sobre isso?

Sou muito exigente comigo. Procuro sempre melhorar em todos os aspectos. A dança me ensinou buscar sempre o melhor e minha preocupação com a didática é conseqüência da minha paixão pela profissão de professora. Fiz Magistério e depois Filosofia com a intenção de quem sabe um dia, dar aulas em Universidades. Porém a paixão pela dança me desviou desse roteiro.

Pensar é a coisa mais valiosa que um ser humano pode fazer por si mesmo. Só assim ele evolui. Tenho medo de me tornar gado e deixar que a sociedade pense por mim. Quanto mais os bailarinos pensarem além do que vêem, mais a dança vai evoluir como forma de arte e expressão.

8- Como tem sido sua carreira na Dança do Ventre? É difícil conciliar a profissão de bailarina e de professora?

Hoje consigo conciliar dando menos aulas para menos alunas, prezando a qualidade e não a quantidade. Não quero ter uma escola agora, por que quando você tem um negócio pra sustentar nem sempre pode prezar a qualidade.
Meu foco hoje é meu trabalho como bailarina. Estou trabalhando junto com produtoras de eventos em shows fora do meio árabe. Pretendo levar a Dança do Ventre para o grande público, de uma forma mais arrojada.

9- Como você caracterizaria essa nova fase de sua carreira? O que a levou até ela?

Essa nova fase é a busca por um trabalho original. Quero uma Dança do Ventre mais sofisticada com referências artísticas intensas e variadas. Essa necessidade surgiu da maturidade e dos muitos anos trabalhando e estudando dança, uma hora você acaba querendo mais. E também tem tudo a ver com a nova fase da minha vida pessoal. Mas não vou abandonar o tradicional.

10- Quais características têm ou deve ter uma boa bailarina de Dança do Ventre? Como adquiri-las?

Humildade é o mais importante. Não admiro uma bailarina que não trate a todos com respeito e igualdade. Mas isso precisa ser sincero. Humildade, garra e visão fazem com que você chegue a qualquer lugar e seja quem quiser. O talento não é nada sem essas características. E isso ou você aprende estudando a si mesmo ou a vida se encarrega de ensinar.

Luana Mello
Bellydancer
Dança do Ventre e Danças Exóticas
www.luanamello.com.br

 

Para conhecer melhor o trabalho desta grande baialrina, assista aos vídeos abaixo:

Dançando um solo de derbak.
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Primeiro lugar na final do concurso categoria profissional, no Mercado Persa 2006.
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Nesse trabalho, a mistura do pop-jazz marca o começo de uma nova fase.
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A proposta desse clip é exaltar os detalhes em forma e movimento despreocupando-se da continuidade da coreografia.
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