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Gisele Bomentre 2

gi_bomentre.jpgA bailarina Gisele Bomentre nos concedeu esta maravilhosa entrevista diretamente do Egito. Confira!

1.    Com quantos anos você começou a estudar a Dança do Ventre?

Com14 vi bailarinas pela primeira vez e comecei a estudar pelos vídeos, que assistia na loja do Tony Mozayek, e nas casas de famílias árabes. Eu já estava estudando ballet no Municipal há anos, por isso já tinha noção de postura, braços, interpretação e colocação no palco.

2.    Você já tinha um “background” em outras técnicas, como balé. Como isso ajuda para que uma bailarina tenha excelência técnica?

Um artista seja ele pintor, ator, músico, bailarino, tem que ter acesso a muitas técnicas para ser um artista completo. Uma bailarina tem que saber muitas técnicas também, senão fica limitada.

A Dança do Ventre sempre foi acompanhada de outras técnicas aqui no Oriente Médio, no Egito. Desde Badia Massábni, (idos de 1920) as bailarinas mesclam o ballet principalmente e outras danças, aos shows, porque o show é longo, às vezes mais de uma hora, e somente um estilo cansa o público.

Claro que o ballet é a base, e recomendo fortemente às meninas que façam ballet.
Principalmente se começam a dançar Dança do Ventre muito novas, antes que o corpo esteja formado totalmente e a estrutura muscular esteja mudando.

Infelizmente conheço mais de uma moça que começou a fazer aulas somente de Dança do Ventre, antes dos 14 anos, e com 20 está toda torta, porque a Dança do Ventre sozinha não dá sustentação nos músculos, pelo contrário, se for feita somente como folclore, sem a devida consciência da estrutura muscular e óssea, pode causar sérios problemas na coluna, e também, vocês devem conhecer mais de uma colega que tenha isto: problemas graves nos joelhos! A ponto de com 20 e poucos anos ter que parar de dançar.

A Dança do Ventre pode, e na minha opinião, é muito saudável para a mulher se for feita por toda a vida, dançar com mais de 80 anos (inchaalah! Se Deus quiser) é possível, mas isso se for feito um trabalho corporal para segurar a musculatura e a coluna.

Eu estudei ballet clássico, moderno e jazz, música clássica, piano, canto, ópera. Fiz cursos de teatro e interpretação.

Depois, para o corpo, completei curso técnico em musculação, fiz cursos de Pilates. E yoga eu já fazia desde a adolescência.

Depois, para o emocional, faço quando estou no Brasil todos os tipos de cursos de terapias holísticas, e estudei psicologia na faculdade, participei de vários grupos terapêuticos, tanto que aqui converso com terapeutas e eles pensam que sou profissional da área.

Finalmente, o ser humano completo tem que ter conexão com a espiritualidade, por isso, amo de paixão todas as linhas religiosas e espiritualistas, a que pratico agora é o Budismo Tibetano.

3.    Conte-nos um pouco da sua trajetória. Em quais países você trabalhou, qual a idade que você tinha e quando foi que você voltou ao Brasil.

Através da comunidade árabe fui chamada a ir ao México, depois Costa do Marfim, depois Líbano.

Sempre alguém via o meu show e falava para outras pessoas que tinhas casas noturnas ou restaurantes em outro país, e assim, sempre sou convidada a outro lugar.

Trabalhei também na Síria, Jordania, Dubai, Abu Dhabi,Tunísia, Oman, e agora no Egito.

Tinha 23 anos quando viajei ao exterior pela primeira vez, e voltei ao Brasil sempre a cada um ou dois anos para ver minha família e dar cursos. Em 2001 gravei a novela O Clone, e cantei algumas músicas da trilha sonora  da novela também. E agora, 2008 estou no Egito.

4.    Falamos em Mundo Árabe, mas sabemos que há diferenças culturais e religiosas entre eles. Você saberia dizer algo sobre isso?

Os árabes têm uma determinada semelhança na cultura, isso na forma como se estruturam as famílias e também como se fazem os casamentos, aí entra a Dança do Ventre.

As principais religiões são a cristã e a muçulmana. Essas duas têm a dança como parte do cerimonial nos casamentos e também nos nascimentos e festas familiares.

Principalmente em relação aos casamentos, tanto na festa como durante o casamento em si, a dança é fundamental.

Isso é assunto que tratei no meu curso "A Dança para o Homem Amado". É uma longa história...

5.    Você sentiu uma postura diferente em relação à Dança do Ventre e às bailarinas em cada um dos países pelos quais passou?

Sem dúvida, cada lugar é diferente, imagine a América do Sul: a dança no Brasil é diferente da Argentina, Venezuela, cada lugar tem seu jeito, claro. Mas a Dança do Ventre foi durante muito tempo levada aos países pelos ciganos (árabes, mas ciganos) então ela foi levada mais ou menos da mesma forma, e em cada país de acordo com as vestimentas, músicas e outras características locais, se propagou de um jeito.

6.    Quais dificuldades você enfrentou durante sua carreira no exterior?

Mudar de país, deixar a mamãe! E os amigos, e estar em lugares onde a cultura é diferente a gente tem dificuldade em encontrar a alma gêmea.

Mudar de país a toda hora, a cada 3 meses, também é difícil, pois mal a gente faz amizades, já vai embora.

Quanto à dança, não tive tantas dificuldades, claro que em alguns lugares eles têm uma sensação assim: “como ela se atreve a dançar tão bem a NOSSA dança?”.

Mas eu levo no jeito, não bato de frente, vou com respeito, fazendo com que eles me aceitem.

Estudei árabe antes de ir, falo árabe fluentemente, isso ajuda muito.

7.    Como você define seu estilo: egípcio, libanês...?

Brasileiro, com a linha de estilo clássico egípcio.Creio que ser mulher brasileira é um dom, porque somos uma mescla de culturas e raças, acho que isso é muito especial para a Arte.

Não danço de jeito nenhum, como as bailarinas egípcias de agora, minha dança é obviamente vinda da linha da Nadia Gamal e Samia Gamal, isso fica muito claro para quem entende.

Por exemplo, fui à casa da Raqia Hassan alguns meses depois de chegar aqui ao Cairo. Ela viu alguns vídeos meus e notou meu estilo de imediato, e então me convidou para dançar no encerramento do festival dela. E tem sido assim durante toda a minha carreira, os árabes notam que tenho o estilo clássico e graças a Deus, valorizam.

8.    É muito difícil para uma bailarina dançar no exterior, nos países árabes especialmente?

Em princípio tem que ter uma série de requisitos físicos, que os empresários e contratantes exigem. Não vou entrar no mérito dessa questão, para mim, acho que a Arte é outra coisa, mas é assim que o mercado de trabalho no mundo funciona.

Então após ter esses requisitos, a pessoa tem que saber dançar e mais que isso, se impôr. É o que em inglês chama de "atitude”.

A partir daí, se a pessoa está trabalhando pode vir ou não o sucesso: dançar, trabalhar, é uma coisa, ter o respeito e admiração pelo estilo, trabalho artístico e ter sucesso, aparecer na tv, capas de revistas, dar entrevistas, etc, é outra, muito mais complexa, que graças a Deus aconteceu comigo, devido a uma série de outros fatores, estilo, falar árabe, ter estudado música clássica e ópera, ajudou, pois também os músicos e maestros respeitam.

9.    Você acha que hoje é mais ou menos difícil do que era quando você começou?

Mil vezes mais fácil, eu abri o caminho! A primeira vez que o empresário brasileiro veio ao Líbano com Fátima Fontes e Nájua, eu as apresentei ao empresário libanês com quem eu trabalhava, e são eles dois que agora levam as bailarinas para lá. Quando eu fui, era bem mais difícil.

10.    Quais as dicas de beleza e saúde você dá para as bailarinas que querem viver profissionalmente da dança?


Ai, isso dá um livro! Eu tenho todos os cuidados com a alimentação, não como carne vermelha e nem gordura (só às vezes batata frita, porque ninguém é de ferro, né?).

Da estrutura do corpo, já falei acima. Sobre a pele, protetor solar todos os dias, muitos cremes, maquiagem no estilo árabe (que estou devendo um vídeo para alunas, vai sair, queridas!)

E o cabelo? Só cremes do Brasil, que são os top no mundo, até os cremes bem baratinhos daí são melhores que qualquer outro, não sei porque. Minha amiga Talís deu uma dica super: lavar o cabelo todos os dias e colocar uma mão de creme (qualquer um) no cabelo e enxaguar, não encostar creme nas raízes. Essa hidratação faz o cabelo parar de quebrar e crescer, isso para quem gosta do estilo tradicional, que é bailarina de cabelo comprido. (O time das bruxinhas, hehe, nós bruxas, não gostamos de cortar o cabelo).

11.    Quais as diferenças entre dançar no Brasil e nos países árabes?

Se você dança em hotéis, quase nenhuma, pois quem assiste o show é na maioria estrangeiro, que não entende a música, nem os estilos de dança. Este público admira a dança como nós brasileiros: admiramos o show em si, a beleza das roupas, coreografias, etc.

Mas se você dança em lugares como casas de show árabes, daí a coisa pega, pois todo mundo entende, principalmente aqui no Egito, affff....

Todo mundo entende, pois assiste os filmes com bailarinas (as melhores: Naima Akef, Najua Fuad, Samia Gamal...) e dá opinião, julga o tempo todo, se a gente está na música, se a roupa é adequada, se está interpretando, é duro. Mas a gente dá conta....

De todo meu coração,
eu desejo que tudo de bom que aconteceu comigo graças à dança, seja no emocional , na elevação da consciência e no despertar do feminino,  possa beneficiar , e também acontecer a todas as que quiserem essa abertura em suas vidas ,
e que a  Luz da dança, se expanda, se expanda se expanda...

Gisele Bomentre
gisele@giselebomentre.com.br

giselebomentre@gmail.com

www.giselebomentre.com.br

Conheça melhor seu trabalho assistindo os vídeos abaixo:

Na Dança da Espada
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Cantando “Mabruk” em um casamento árabe na novela O Clone.
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Dançando no Líbano com orquestra ao vivo.
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Dançando no Líbano
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Leia aqui outras entrevistas!

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