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Entrevista gentilmente concedida pela grande bailarina e professora Nar El Hob, proprietária da Nar Cia de Dança e Arte em São Paulo.

1. Nar, você é proprietária do Espaço Nar Cia de Dança e Arte em São Paulo. Conte-nos um pouco sobre o início deste espaço: a idéia, quando e como começou, etc.

A Nar Cia de Dança e Arte existe oficialmente há 7 anos. Antes disso, eu já dava aulas em diversos lugares e o fato de me deslocar o tempo todo de um espaço para outro, o aumento sempre crescente das alunas e o compromisso cada vez mais firme com a dança como trabalho e meio de vida (além da paixão, claro!) me motivaram a construir um espaço meu.

Foi então que concretizei a Nar Cia de Dança e Arte, um espaço que oferece aulas de diversas danças (Dança do Ventre, Ballet, Dança de Salão, Dança Indiana, Dança Moderna, Folclore Árabe, Flamenco, Dança Cigana, etc.), cursos, palestras, loja, núcleo de fisioterapia e estética, entre outros.

2. O Laboratório de quadril ministrado pela bailarina Dunia La Luna tem sido uma constante em seu espaço. Fale-nos um pouco sobre a importância deste trabalho, assim como a importância do trabalho de quadril na Dança do Ventre.

A Dunia foi uma das primeiras amigas “adquiridas” no mundo da dança. Sempre admirei o trabalho dela, assim como seu talento e sua filosofia de vida. Esta afinidade entre nós fez com que pudéssemos trabalhar juntas e com que a Nar Cia de Dança e Arte pudesse contar com um curso tão especial e diferenciado como é o Laboratório de Quadril.

O quadril é fundamental na Dança do Ventre e não basta fazer o básico ou repetir uma enorme quantidade de movimentos. Ter um quadril elaborado e autêntico depende de consciência corporal. Ou seja, conhecer seu corpo, explorar seus limites e enxergar o trabalho com o quadril com mais profundidade. E a Dunia, com seu Laboratório de Quadril, é incomparável e imbatível.

3. Nestes anos todos de profissão como professora, quais as dificuldades mais recorrentes ou as dificuldades mais marcantes que você observou nas alunas de Dança do Ventre?

A Dança do Ventre toca profundamente. Por isso, mais cedo ou mais tarde, sentimentos, traumas, travas, deficiências e dificuldades pessoais vêm à tona nas alunas. Como professoras, temos que ter sensibilidade e firmeza para administrar essas situações, amparando e orientando as alunas para que estes momentos sejam aproveitados, superados e a dança possa atingir o seu ápice, que é o  prazer puro.

Isso tudo que apontei acima faz com que as pessoas tenham dificuldades técnicas relacionadas com suas dificuldades internas. Isso se expressa em cada uma de formas diferentes: quadril preso, inflexibilidade de tronco, má postura, etc.

4. Muitas vezes você divide o palco com seu irmãoTarik, bailarino de danças folclóricas. Como foi o início deste trabalho com ele? E como é dançar ao lado de seu irmão? Quais as delícias e dificuldades?

Não preciso nem dizer que dividir o palco com o Tarik é maravilhoso, embora só a presença dele já seja o suficiente, não é mesmo mulheres? rsrsrs.

Claro que como irmãos temos atritos e diferenças, afinal temos intimidade para “discutir” abertamente. Mas trabalhar com ele é bom demais, pois ele é super criativo, tem uma noção cênica completa (ele é ator também), tem um amplo conhecimento da cultura árabe e tem uma consciência corporal perfeita.

O Tarik começou a dançar depois de mim. Me acompanhava nos shows, via vídeos, tocava snujs para mim, e de repente... ele estava dançando. É um artista nato!

5. Queremos parabenizá-la pela sua gravidez e aproveitamos para perguntar como é essa combinação da Dança do Ventre e gravidez, que  são duas situações extremamente femininas. Como fica seu corpo, suas sensações, sua percepção, sua movimentação, enfim tudo que envolve essa experiência?

Obrigada, estou muito feliz e realizada com a minha gravidez. Embora sejam duas situações extremamente femininas, para mim as duas são distintas. A Dança do Ventre me causa euforia, expansão, enquanto a gravidez me trouxe introspecção.

Como trabalho com a dança, mesmo grávida, ela é muito presente na minha vida. Continuo dando aulas, mas os shows obviamente parei (por uma questão estética, não de saúde. Aliás, dançar é muito benefíco para mulheres grávidas). Quanto ao corpo, naturalmente ele se modifica e isso faz com que com o passar dos meses os movimentos fiquem mais limitados e aconteçam de forma diferente. Mas não há perdas na execução da dança, não.

6. A Dança do Ventre encontra cada vez mais adeptas no Brasil. Afinal aqui é um dos países com o maior número de praticantes do mundo. A que você atribui tamanha admiração por parte das brasileiras? Ou seja, na sua opinião, por que as brasileiras gostam tanto da Dança do Ventre?


Pela mistura de mistério e sensualidade que a Dança do Ventre sugere. No Brasil, o apelo à sensualidade (e sexualidade) é muito grande. A mulher brasileira sempre busca explorar cada vez mais sua beleza, auto-estima, prazer e autoconfiança. A Dança do Ventre tem esse poder.

7. Não há ainda no Brasil uma regulamentação da profissão de bailarina e professora de Dança do Ventre, e sabemos que isso gera uma série de dificuldades pra área, inclusive falta de profissionalismo. Na sua opinião, quais fatores levam à desvalorização da Dança do Ventre enquanto profissão?

Eu acredito que em todas as profissões, regulamentadas ou não, isso acontece. A questão é que existe espaço para todos. Os semelhantes se atraem. Num mundo tão avançado tecnologicamente, com tanta informação disponível, você só opta pelo que não é bom porque quer.

Os bons profissionais ficam e ganham cada vez melhores espaços. Os ruins cada vez piores. Sendo assim, não considero isso como uma concorrência ou desvalorização da profissão.

8. O início de sua relação com a dança se deu com o balé e o jazz. Conte-nos como, por meio de tais danças, chegou à Dança do Ventre, e o que esse contato (com a Dança do Ventre) significou pra você.

O Ballet e o Jazz foram atividades que fiz quando criança. A Dança do Ventre chegou bem depois e me cativou imediatamente. O que ela significou para mim? Absolutamente tudo, afinal, hoje eu vivo a Dança em todos os aspectos da minha vida: prazer, lazer, trabalho, amigos.

9. Como você vê a questão da coreografia e do improviso na Dança do Ventre? Você tem preferência por uma delas? O que cada uma requer da bailarina? O que cada uma desperta no público?

São situações diferentes mesmo. A coreografia te dá a condição de elaborar e preparar racionalmente, o que trabalha criatividade e planejamento. Requer da bailarina prática e experiência. O público assiste performance, algo teatral e majestoso.

Já o improviso é interpretação pura. É o casamento da bailarina com a música, é sentimento. A bailarina expressa o que vai na alma, o que a toca. Isso requer dela entrega e fluidez. O público recebe emoção, sente junto com a bailarina.

Eu acho as duas coisas fundamentais para quem trabalha com dança, mas minha preferência é, sem dúvida, o improviso.

10. O último espetáculo da Nar Cia de Dança e Arte foi “Inspiração”, realizado em dezembro de 2008 no Teatro Santo Agostinho. Conte-nos um pouco sobre a concepção, preparação e montagem deste festival.


A idéia surgiu da base do nosso trabalho na escola: o incentivo a buscar a identidade de cada um na dança. Queríamos mostrar ao público o que nos move a desenvolver tudo que fazemos, que é a Inspiração pelo simples prazer de dançar (o nome do espetáculo).

Assim, a proposta era que cada professor usasse sua própria inspiração para desenvolver suas coreografias. Então, dividimos o espetáculo em blocos por professores e o resultado foi esplêndido. Sem dúvida nosso melhor trabalho nos últimos anos. (www.nar.com.br)

11. Agradecemos imensamente pela disponibilidade e gentileza em nos conceder esta entrevista Nar. Boa sorte nesta nova fase – esta vida que você está gerando – e esperamos manter sempre o contato. E fale aqui sobre o que quiser.

Muito obrigada, eu agradeço a oportunidade e desejo muito sucesso e prosperidade a vocês. Estou sempre à disposição e é um prazer compartilhar das minhas opiniões e conhecimentos com vocês.

Nar El Hob
www.nar.com.br
(11) 5549-1387
Conheça mais o trabalho desta grande bailarina, assistindo os vídeos abaixo:

Nar e Ali Khalih com DANÇA ÁRABE CIGANA na Pousada do Rio Quente-GO:
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Nar e os demais professores da NAR CIA DE DANÇA E ARTE no espetáculo SONHOS E LENDAS.
PROFESSORES: ALI KHALIH, DÚNIA LA LUNA, KAREM, KARINA GALASSO, LÚ FERNANDES, NAR EL HOB E TARIK.
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Participação especial no show de Soraia Zaied, no teatro Sto.Agostinho em 30/09/07:
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Em participação no show de ALI KHALIH e TARIK em show na POUSADA DO RIO QUENTE-GO:
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