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Escrito por Paola Blanton   

keti_sharifToda carreira de bailarina cresce através das intervenções das amigas bailarinas, e a amiga que me deu os primeiros empurrões para o palco internacional foi a minha grande amiga Australiana, Keti Sharif.

 


A gente se conheceu em Singapura em 2004 em um workshop dela.  Foi a primeira vez que conheci o Sistema A to Z, e num instante deu para perceber que isso é mesmo uma grande ferramenta de desenvolvimento para bailarinas da Dança do Ventre. Eu aprendi o sistema inteiro, e a Kéti começou a me chamar para participar nas filmagens dos DVDs didáticos no Egito. Logo depois, ela me convidou a apresentar minhas coreografias utilizando A to Z nos festivais do Egito e Austrália, e isso lançou uma parceria que dura até hoje.


Nos anos seguintes, ela continou me chamando para ensinar meus próprios trabalhos no meu próprio estilo, nos grandes festivais da Austrália (WAMED) e do Egito (Sphinx Festival). Todos os anos que a gente trabalha juntas, nós crescemos uma por causa de outra, a amizade ajudando a parte profissional, e vice versa. Em 2008 eu fiz a tradução do Sistema Original A to Z para Português, e recentemente tivemos uma conversa sobre o desenvolvimento do Sistema aqui no Brasil.

1)    Qual foi sua inspiração para criar O Sistema A to Z?


A to Z foi criado como um recurso para bailarinas – harmonizando estrutura com criatividade e fluidez. As combinações são fáceis de aprender, facilitando também o ensino e coreografia, dando às alunas uma linguagem universal ou padrão para se referenciar. Assim criei um conceito que sistematicamente ensina todos os movimentos fundamentais da Dança do Ventre, inclusive transições, numa ordem lógica, dentro do seu contexto cultural.

Meu primeiro e mais importante professor foi Mahmoud Reda, e seu sistema lógico de ensino foi o que me inspirou a desenvolver meu próprio sistema.  Eu dançava num grupo folclórico no Cairo nos meus anos 20, e isso deu a inspiração para os elementos folclóricos no A to Z.  Assim, os vários gêneros da dança se integram no sistema e fazem parte da linguagem dele. Eu também estou fascinada pela geometria cósmica e artes Islâmicas, e por isso coloquei muitos padrões geométricos nas formas das sequências, refletindo uma estética Egípcia completa com ritmo, nuance, e influências regionais.

2)    Como o Sistema A to Z pode ajudar a melhorar a habilidade da bailarina?

A to Z proporciona à bailarina uma base sólida para melhorar o entendimento rítmico e o relacionamento entre música e dança. Alémm disso, traz formas culturais e gestos sutis na arte da bailarina. Ela aprende todos as transições fundamentais que são necessárias para um fluxo facilmente gracioso. Quando são aprendidos, estes elementos começam a fazer parte da linguagem corporal da bailarina e servem à criatividade dela.

3)    A fama do A to Z vai crescendo muito rapidamente. Quantos países já tem Professoras Certificadas no Sistema?

Alunas e Professoras utilizam A to Z em todos os países onde tem Dança do Ventre, na Europa, os Estados Unidos, África, Ásia, Austrália, Nova Zelândia, e América do Sul. Temos professoras certificadas em todos os continentes com bastante professoras em treinamento agora. Temos cursos de treinamento com professoras mestras e cursos de DVD com livro.

4)    Este crescimento rápido de popularidade é devido a que, você acha?

Sua utilidade. Bailarinas utilizam A to Z para coreografia e ensino, e para melhorar seu entendimento cultural da dança. Como o sistema é tão fácil de aprender, facilita bastante a montagem de coreografias em grupo, desde a sala de aula até o palco. Bailarinas que aprendem o sistema compartilham uma linguagem comum com outras bailarinas que utilizam o sistema. Tudo isso incentiva a criatividade, porque facilita o processo. Daí pra frente fica fácil se juntar com outras bailarinas em qualquer parte do mundo e montar danças com facilidade e rapidez. Desde que os fundamentais sejam aprendidos corretamente, as bailarinas têm muita liberdade em como querem usar o sistema.

Por isso também temos os cursos avançados de formação no Sistema A to Z – para garantirmos a qualidade que vem com o Certificado.  A bailarina se sente mais confiável porque sabe que foi avaliada por uma equipe de profissionais com carga de conferir todos os conhecimento contidos no curso – ritmo, passos, técnica, fluxo e contexto cultural.

5)    Como se sente sobre a tradução do A to Z para Português?

Todos os cursos A to Z são escritos e produzidos em Inglês, mas eu sei que nem todo mundo fala Inglês.  Temos pedidos para traduzir o curso para Japonês, Alemão, Russo, Espanhol, Croata, Italiano e Chinês.  Paola foi a primeira quem traduziu o curso “Original” para outra língua – DVD e panfleto, e estamos muito empolgadas para receber a reação da comunidade brasileira da Dança do Ventre.  Logo vou tomar decisão de como seguir para a frente com o resto do sistema em todos os níveis até profissional – porque é um grande projeto que levou dez anos para desenvolver. Vou passo por passo pelo momento, junto com todo apoio das professoras A to Z no mundo, e com a tradução da Paola, estamos esperando ver a reação no Brasil e assim vamos planejar o próximo passo.

6)    Faz tempo que você mora no Egito. Como foi passar isso?

Eu estudava e trabalhava no Egito desde meus anos 20, e sempre voltava. Em seguida, comecei a guiar excursões culturais no Egito e produzindo música e DVDs didáticos com meu parceiro de produção, Omar Kamel da Pulse Music World.  Eu amo o país, seu povo, sua cultura e história, então tomei a decisão de ficar lá desde 2001. Agora é meu país – onde me sinto mais à vontade, o país do meu coração.

7)    Você acabou de organizar o primeiro Sphinx Festival em Dezembro no Cairo.  Qual foi o conceito?

O Sphinx Festival junta dança, música, e as artes culturais do Egito com filosofia e conceitos espirituais. Tínhamos muitos apresentadores no Festival compartilhando seus talentos com os participantes. Por exemplo, os workshops da Paola (Blanton) demonstraram a relação entre a dança e os quatro elementos, que fizeram o tema deste primeiro festival – e ela ensinou tudo com orquestra ao vivo. Tínhamos também Farida Fahmy e Mahmoud Reda na parte da dança, o egiptólogo Moustafa Gadalla, e outros talentos dos mundo filosóficos e cosmológicos. Já que a dança é uma arte que reflete os grandes ritmos e padrões do Universo, foi uma boa mistura de matérias. O ano que vem esperamos ter uma apresentação em grupo de A to Z.

8)    Como se sente sobre o futuro do sistema?

Muito positiva. Tem muitas bailarinas utilizando e compartilhando o sistema e podem comunicar-se sem fronteiras. O sistema recolhe energia enquanto que cresce e recebe ideias das bailarinas no mundo que o utilizam. Paola Blanton e Suzanne Oehlers são ambas muito criativas com o sistema assim que fora do sistema. Mas elas são umas das mais dedicadas professoras-mestras do curso inteiro, e trabalham juntas no Cairo quase todo ano nos treinamentos profissionais do A to Z. Todo ano, nossos treinamentos profissionais crescem porque tem bailarinas cada vez mais no mundo inteiro aprendendo o sistema. É nosso prazer recebê-las no país onde nasceu a dança do ventre – Egito.

Kéti Sharif: www.ketisharif.com


Paola Blanton: www.paolablanton.com

 

Assista os vídeos abaixo para conhecer melhor o trabalho desta grande bailarina australiana:

 

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