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Pedro Françolin

pedro_francolin.jpgEntrevista gentilmente concedida pelo grande derbakista Pedro Françolin. Confira!

1. Conte-nos um pouco sobre quando e como começou sua carreira de derbakista, se você é descendente de família árabe, etc.

A minha trajetória na música em geral começou com meus seis anos de idade aproximadamente, quando comecei a aprender violão e guitarra. Lá para os 13 anos, fui a um show de dança do ventre com minha mãe, que também é bailarina, tanto de dança do ventre, como dança indiana entre outras, e me apaixonei pelo conjunto árabe que estava tocando.

No entanto, senti algo de especial com o som do derbake. (o conjunto árabe que estava tocando era o do cantor Tony Mouzayek, e o derbakista na ocasião era o Ely Mouzayek). Falava tanto de derbake por tanto tempo que um dia minha mãe se rendeu e me deu um derbake de presente, me levou para conhecer o Ely Mouzayek e comecei então as minhas tão sonhadas aulas.

O tempo passou, a amizade entre Eu, Ely, Tony e toda familia Mouzayek aumentou. Estava me dedicando ao máximo no derbake, quando em uma festa que fui apenas assistir, minha mãe e as bailarinas armaram uma surpresa e me convidaram para tocar. Estava muito nervoso. Mas, no final tudo deu certo!

Foi aí que percebi que realmente gostaria de me profissionalizar nesse sentido. Passado mais algum tempo, eu comecei a ser chamado para tocar em diversos lugares e então elevei o hobby a uma segunda profissão na minha vida! Hoje me apresento em diversos eventos, em diversas cidades e com diversas bailarinas, nacionalmente e internacionalmente conhecidas.

2. Você trabalha exclusivamente como músico ou possui outra atividade profissional também?

Atualmente divido minha carreira de músico com a carreira de Webdesigner e Publicitário. Me formo esse ano em Publicidade e pretendo sim trabalhar com as duas coisas concomitantemente.

3. Você participou do Espetáculo Dançando a Meia Noite com a Troupe Eksotic que ocorreu em novembro de 2008 em São Paulo, em parceria com várias bailarinas e músicos, como a Luana Mello, Isabela Marchioro, Emiliano Negro, entre outros. Conte-nos um pouco sobre a montagem, preparação e apresentação deste espetáculo.

O espetáculo "Dançando a meia noite", como era chamado, foi muito bacana e divertido. Apesar de ser um trabalho sério, a descontração por parte dos participantes foi fundamental para que pudéssemos montar um trabalho de qualidade e ter prazer com ele.

Quando a Luana me chamou para fazer parte do elenco do espetáculo, na hora já aceitei. Sabia que iria sair algo muito bacana, pois só tinha feras no elenco e um produtor, Giuliano Girondi, de altíssima qualidade.

Foram mais de 4 meses de montagem, preparação e produção, e os últimos dois meses de correria total para que pudéssemos entregar um espetáculo de qualidade para o nosso público.

Na estreia, estávamos TODOS muito nervosos. Sem excessões. Figurinista, cenógrafa, Produtor, bailarinas e nós músicos, é claro!  Nervosos porque era um espetáculo muito diferente do que temos hoje em dia, e não sabíamos como iria ser a reação do público em geral.

Casa lotada, primeiro dia de espetaculo finalizado! Sucesso total. Resumindo, um espetáculo marcado em 4 dias de apresentações, teve 8 dias de apresentações. Nós tivemos que dobrar esse núumero para que todo o público pudesse nos prestigiar naquele aconchegante teatro que é o Teatrix.

4. Quais estilos de música você prefere tocar? Por quê?

Nas bandas em que me apresento e faço shows tocamos de tudo, desde clássicas de Om Kalthum até modernas do Hakim. Mas, particularmente eu prefiro tocar as músicas clássicas. Nos solos, prefiro tocar de forma simples, com boas nuances, para que a bailarina consiga marcar tudo de forma correta e assim fazer com que a apresentação se torne ainda mais bonita.

5. Quais músicos você admira, estuda e se inspira mais?

Bom, em questão de voz, Tony Mouzayek é sem dúvida um dos maiores cantores da música árabe no país. Em questão de musicalidade, Mauricio Mouzayek é fantástico. Pelos quesitos agilidade e técnica no derbake, Gege Mouzayek, Ely Mouzayek e Marco Hajjar não deixam nada a desejar.

Quanto aos músicos estrangeiros. Em questão de voz, os meus preferidos são George Wassouf e Nour Mehana. Em questão de musicalidade gosto muito do Mario Kirlis. Em questão de agilidade e técnica no derbake gosto muito do turco Onur. Ele arrebenta!  

6. No Brasil há poucos músicos árabes se comparados ao número de bailarinas de Dança do Ventre. Então imagino que o mercado de música seja bastante disputado e fértil. Fale-nos um pouco sobre isso.

Aqui no Brasil, apesar de existir poucos músicos e bandas que realmente tocam musica árabe, não é tão disputado assim, pois as bandas e músicos já marcaram seu espaço e as bailarinas e contratantes já têm seu "gosto definido" e assim não causa uma disputa por shows ou eventos.

Entre nós músicos arabes, em geral, também temos uma "política interna" onde respeitamos todos os nossos colegas de trabalho e sabemos delimitar corretamente o nosso espaço.

7. Você criou o Projeto “Monte seu solo”. Fale-nos um pouco sobre seu surgimento e no quê ele consiste.

Bom, nos meus aproximados 10 anos de trajetória no derbake reparei que as bailarinas têm uma certa dificuldade na escolha de solos de derbake, pelo simples motivo que aqui no Brasil o acesso a estes solos é meio restrito e difícil.

Foi aí que eu tive a ideia de que seria interessante para uma bailarina se ela tivesse seu próprio solo exclusivo, onde pudesse coreografar e dançá-lo quando e como quiser. E quando necessitasse deste mesmo solo tocado ao vivo, tivesse um fácil acesso a esse meio.

Como eu possuo em minha residência um "home estúdio" eu resolvi colocar em prática a minha ideia, que consiste na bailarina me mandar seus gostos e preferências de solos, como por exemplo me falar se gosta de mais lento ou mais rápido, quais os ritmos que gosta, se tem alguma brincadeira ou marcação que prefere e aí eu faço a composição deste solo, gravo, mixo e envio por email em um prazo de 15 dias, junto com um documento autorizando esta bailarina a reproduzir ou utilizar este solo da forma como quiser, sempre me dando os créditos da composição!

8. Dançar com música ao vivo é muito mais emocionante do que ao som de CDs, mas talvez pelo número pequeno de músicos árabes no Brasil, muitas bailarinas ainda não tenham tido esta oportunidade. Que dicas você daria a elas na hora de dançar com música ao vivo?

Bom, primeiramente eu falaria para tentar ficar o mais calma possivel, pois dançar com musica ao vivo não é nenhum "bicho de sete cabeças".

A única diferença é que você irá trocar uma música "robotizada" que faz tudo igualzinho independente do número de vezes que você repetir, por uma música "humanizada" que pode ter variações de toques de acordo com a técnica ou destreza do músico em questão.

Outra dica que eu daria seria para ela escolher muito bem os músicos que deseja, para assim se sentir o mais à vontade possivel. O músico precisa estar o mais aàvontade possível e a bailarina também, para assim criarem uma harmonia no número apresentado.

9. E quais dicas e conselhos você daria para quem quer se profissionalizar como músico árabe?


Estude e ouça muita música e não desista nunca. Ninguém nasce sabendo e todos podem aprender. Da mesma forma como eu aprendi e estou aprendendo, qualquer um pode aprender.

Uma dica: nunca ache que sabe o suficiente, pois sempre existirá alguma coisa para aprender. A composição da música árabe é uma das mais lindas do mundo e necessita de uma dedicação especial para aprender. Boa sorte!

10. Agradecemos imensamente pela sua disponibilidade e gentileza em nos conceder esta entrevista. Fale sobre o que quiser aqui, sobre algo que ainda não tenha sido perguntado, etc.


Gostaria de me deixar à disposição para eventuais dúvidas sobre meu trabalho ou sobre o derbake e dizer que ministro aulas e workshops para academias, músicos e bailarinas em geral. Para saber mais por favor me envie um email: pedro@derbake.com.br.

Pedro Françolin
www.derbake.com.br
pedro@derbake.com.br
(11) 9966-0407


Conheça mais o trabalho deste derbakista assistindo os vídeos abaixo:

Com a bailarina Luanna Mello no espetaculo do ano de 2006 da escola de dança Aluaha: Dim lights Embed Embed this video on your site


Com a bailarina Nancy Ribeiro em casamento árabe em Goiânia em Novembro de 2006:
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Com a bailarina Nancy Ribeiro na noite de gala do belly divas internacional dancing with the stars 02/05/08 no teatro goiania ouro:
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Com a bailarina Samnya Abras e o também percussionista Marco Hajjar no Restaurante Vila Árabe em BH/MG:
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Com Tony e a Banda Mouzayek no jantar Arabika:
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Com a bailarina Isabella Marchioro, parte do show Dançando a Meia Noite da Troupe Eksotik. A performance tem influências da dança Tahitiana:
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Com a bailarina Luanna Mello durante o XV Mercado Persa em abril de 2007:
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Com a bailarina Ana Claudia Borges, no II Festival de Dança do Ventre, realizado em Osasco-SP.
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