Esqueci minha senha

Diário de uma Bailarina de Dança do Ventre

Escrito por Priscila Pesci

Se tem algo que eu aprendi desde o início de minha jornada na dança do ventre, observando as dificuldades de algumas alunas, é a importância de se manter focada e de trabalhar sobre si mesma.

 

Quando estamos aprendendo os primeiros passos, temos dificuldades de coordenação motora, ansiedade, nos sentimos com quadril duro e sem o mínimo de consciência corporal, ou seja, completamente desestruturadas. É neste momento que entra o trabalho com o espelho em sala de aula. Você precisa estar focada em si mesma para ter conhecimento do processo que está praticando, com total atenção ao que está sendo ensinado e na hora da atividade, estar concentrada no exercício do seu corpo.

 

No momento que deixamos de olhar para nossa imagem no espelho e passamos a reparar a imagem da colega ao lado, acabamos nos perdendo do nosso movimento e concentração.

 

A evolução tanto na dança como em qualquer área das nossas vidas depende do quanto nos dedicamos para sermos melhores que nós mesmos. Somos mulheres diferentes, com corpos diferentes e consequentemente movimentos diferentes e particularidades de cada uma. Temos problemas pessoais, histórias de vidas e de dança diferentes. Portanto, a comparação e competição são desnecessárias.

 

Através do movimento da dança se estabelece um fluxo equilibrado de energias dentro da psique. Esse fluxo é responsável pela nossa harmonização com o mundo. Dessa maneira, a dança é um movimento sagrado que equilibra a estrutura psíquica da bailarina. O resultado disso é uma harmonia na vida. Uma Harmonia primeiro consigo mesma, depois com o mundo. Na dança, cada bailarina aprende a estabelecer-se sobre seu próprio eixo. Em outras palavras, cada bailarina aprende a bailar dentro do seu próprio quadrado.

 

Muitas vezes perde-se muito tempo dando atenção no movimento ou “na vida” da colega ao lado, tempo precioso que poderia estar investindo em si mesma.

 

Querer ser igual ou melhor do que o outro nos priva de enxergar o nosso próprio talento. Interferir no movimento, processo e valores dos nossos colegas na dança faz com que nosso meio artístico seja banalizado e perca o real sentido do que a dança nos traz.

 

A dança é uma arte milenar que pode ser utilizada como veículo para o autoconhecimento e integração com o universo ao nosso redor. E para que essa integração com o mundo exterior esteja em harmonia, precisamos primeiro dominar a nós mesmos, os nossos próprios movimentos, consertar a nossa própria postura e erros. Através desse exercício podemos levar esses ensinamentos para nossa vida e tentar cada vez mais combater a nossa própria ignorância. 

 

Todos nós somos capazes de melhorar, é só uma questão de prática e foco no seu próprio movimento.

 

 

Priscila Pesci é dançaterapeuta, bailarina e professora de Dança Oriental Árabe, com formação em Yoga e praticante de Ayurveda, na cidade de Juiz de Fora - MG.

 

 


Veja Mais ver todas +

Nuvem de Tags

professorarevistaliteratura bailarina arte homenagemartigobailarina musica brasil central danca do ventre vídeos cairo egito homenageada dança dança do ventrebailarina homenageada