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Homens na dança do ventre, pode ou não?

Escrito por Khaled Emam

 (Tito Seif)

 

Como é vista a presença masculina nos países árabes especialmente na terra da dança do ventre e no Egito.

É um assunto que causa muita polêmica e isso por uma simples razão: ele não é visto, mas é julgado.

 

Para falamos sobre este assunto precisamos mergulhar e conhecer nossos costumes antes de olhar para um artista no palco, ou seja, saber a dança do ventre além do palco.

 

A dança do ventre “Raks Sharki” faz parte de nossa tradição, nossos festejos, onde se junta toda a família comemorando alguma cerimônia. Onde se toca a Tabla “derbacke” e as mulheres da família dançam e os homens acompanham, fazendo os mesmos movimentos seja das mãos, quadril, ombros, etc.

(Miro)

 

É um momento de alegria e comemoração onde todos participam, e isso faz parte da nossa tradição e encontramos naturalmente entre o povo.

 

Para explicarmos isso melhor precisamos entender bem as diferenças entre tradição, hábitos, costumes e palco. Pois quando falamos em arte, em palco as coisas mudam totalmente: a posição, a postura e até o significado.

 

O Raks Sharki ou dança do ventre é 100 % uma dança feminina. Suas características em questão dos trajes, sensualidade, movimentos, é tudo uma definição da feminilidade sim. Mas a presença masculina sempre foi presente no raks sharki, de uma maneira ou de outra sempre existiu.

 

A dança de ventre começou a ser vista como profissão mais ou menos em 1920, época do nascimento da cinema e teatro. Foi nesta época que nasceram as lendas da dança do ventre como Nemat Mokhtar, Naima Akif, Taheya Carioca, Samia Gamal entre outros. E  também nesta época tivemos a presença masculina por trás da fama. Estas bailarinas que marcaram a época foram treinadas por grandes mestres como Ibraheem Akif, e em muitas cenas de filmes também podemos ver a participação masculina em números de dança, mas não como bailarinos, e sim como personagens dividindo a cena.

 

A presença masculina no Raks Sharki no palco

Voltamos a relembrar que a dança do ventre é por natureza e por suas características e elementos uma dança feminina, e quando olhamos no mundo árabe especialmente no palco, cinema ou show, todo o público espera uma bailarina e não um bailarino para ser assistida. Isso nada tem a ver com preconceito, mas é por natureza, mesmo assim nada impede a presença masculina.

(Tommy King)

 

No Egito

Vou falar sobre Egito pelo motivo de que é minha terra e que é o mundo onde eu fui criado, além de conhecer a vida de muitos do meio. Antigamente a presença masculina na dança do ventre sempre foi a de ensinar e não praticar no palco. Mas os tempos mudaram e hoje em dia temos vários bailarinos egípcios de renome no meio da dança do ventre, que fazem sucesso internacional. Entre eles estão amigos pessoais como “ Hatem Hamdy” conhecido como Tommy King, Tito Seif, Miro e outros, que são artistas que praticam a dança do ventre no Egito e no mundo inteiro.

 

O que é o nosso dever em relação a isso

Importante saber diferenciar as coisas, diferenciar entre o lado profissional e o lado pessoal. Não podemos julgar a personalidade de uma pessoa porque isso só a ela pertence, o que é ou como é essa pessoa. A partir do momento que um artista pisa no palco, devemos olhá-lo como artista. Se você vai simpatizar ou não, se vai aprovar ou não, isso cabe a cada um, e cada um tem suas razões, princípios. Mas é preciso saber respeitar.

Não podemos julgar a arte como opção de vida do artista, pois a partir do momento em que pisar no palco ele é um artista, e fora dele é uma vida pessoal que pertence a cada um.

 

Entre as verdades e realidades

É verdade que o Raks Sharki é uma dança feminina, mas quando olhamos a realidade é que existem homens praticando hoje em dia. Seja no Egito, Oriente Médio ou no Ocidente. Agora cabe a cada um escolher o seu gosto, assistir bailarina, bailarino ou tanto faz, e sua preferência deve ser sua e não é obrigação que seja a das outras pessoas.


 

Agora sabendo as verdades, sabendo a realidade, apenas basta saber conviver com isso, olhar a arte como arte e a pessoa como pessoa.

 

 

Tommy King: 

 

 

Tito Seif

 

 

Khaled Emam é egípcio e vive no Brasil há 23 anos. É Diretor em Khaled Emam consultoria artística árabe e diretor do Amaren International Festival. Renomado pelo Ministério da Cultura Egípcia. Renomado pelo Federação Internacional do Folclore Egípcio. Mestrado pela Academia de Arte. Contatos: khaledrio@gmail.com e (55) 21 9-9635-7879

 

 

Hoje em dia existem excelentes bailarinos de Dança do Ventre no Brasil e no mundo. Quais você mais admira? Conta, conta!!!


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