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Hossam e Serena Ramzy

Escrito por Equipe CDV

 

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                                                                                                  (foto de alexbilotto@gmail.com)

 

 

Em agosto eles estão de volta ao Brasil, e desta vez em quatro cidades diferentes. Uma oportunidade única de aperfeiçoar sua leitura da música, sua entrega a ela, bem como de se aprofundar neste universo de informações ricas da Dança Oriental. Com vocês, uma entrevista exclusiva com Hossam e Serena Ramzy para o Central Dança do Ventre, pra você ficar com mais vontade de enaltecer ainda mais sua dança.

 

1. Vocês criaram uma didática única para a Dança do Ventre. Contem um pouco pra gente há quanto tempo começou este estudo e as principais características desta didática.

 

Serena: Meu aprendizado na filosofia da Interpretação Musical (E=E em intensidade e sentido) começou em 1996. Depois eu fui treinada pelo Hossam teórica e culturalmente e tive que desenvolver os aspectos técnicos para fazer a filosofia aplicável à minha própria dança. Também fui guiada pelos mais respeitados músicos e dançarinos artísticos do Egito, os dançarinos conhecidos como os “Stars of Egypt”.

 

Tecnicamente, meu método de seguir cada parte da música foi feito para ser ensinado, combinando tanto o nível de qualidade nos movimentos e posturas quanto sua sincronia com o som. Seguindo os desenvolvimentos principais do Hossam para traduzir as músicas, descobri como transformar os movimentos egípcios básicos em novas variações, para que todos os sons da música pudessem ser traduzidos em movimentos adequados, com variedade e criatividade, mas mantendo a identidade com as raízes egípcias da dança.

 

A principal característica deste método de interpretação é a tradução correta de cada nota e tom da música através do movimento, o qual supõe um alto nível de qualidade técnica e artística, assim como um profundo conhecimento da cultura. O objetivo é fazer que o dançarino SEJA a música e, ao mesmo tempo, que seja ele mesmo e deixe sua individualidade como artista fluir.

 

Hossam: meu principal interesse na dança é um interesse musical. Tenho estado profundamente envolvido com a música, especialmente com a música para dançar, desde que eu era criança. Eu adorava observar minha família dançando. Mãe, irmãs e outros membros da família dançavam em festas, casamentos e muitas outras celebrações. Também observava profissionais que participavam de eventos em clubes que eu frequentava. Fiquei fascinado para tentar entender como eles encenavam, quais eram seus métodos e as diferenças no estilo de cada um deles.

 

Há mais de 30 anos comecei a me aprofundar, procurando detalhadamente as características e diferenças de cada dançarino, logo depois tentei encontrar um método e uma filosofia que misturasse o caminho do aprendizado e o ensino num tipo de trabalho prático e aplicável para que qualquer dançarino do mundo pudesse entender como fazê-lo.

 

Meu medo era criar clones de uma outra pessoa ou uma outra coisa que acabasse com a criatividade dos artistas. Meu interesse era estimular a criatividade e fazer com que cada dançarino desenvolvesse as capacidades e competências, assim como oferecer ferramentas para que eles sigam se desenvolvendo no futuro. Não simplesmente uma lição, uma coreografia, um estilo para imitar e pronto.

 

Porém, tenho desenvolvido um método para traduzir a música que fica disponível na seção de artigos de nosso site www.hossamramzy.com

 

2. Este é o terceiro ano que vocês vêm ao Brasil ministrar cursos. Como funcionam estes cursos que ministram em tantos países pelo mundo?

Serena: O próximo vai acontecer em Agosto e será nossa terceira vinda consecutiva ao Brasil, com o apoio e a organização de nossa querida amiga Dani Agni. Nas ocasiões anteriores participamos de diferentes eventos. A primeira vez foi uma oficina intensiva durante um fim de semana. A segunda vez um acampamento de treinamento de sete dias que a gente costuma chamar de imersão, onde conseguimos aprofundar o estudo de diferentes aspectos da música, da dança e da cultura do Egito com nossos estudantes.

 

Neste ano vamos visitar quatro cidades e compartilharemos nosso método com dançarinos ao redor do Brasil. Estaremos em Curitiba, São Paulo, Brasília e Campo Grande, junto com nossos anfitriões que são artistas muito respeitados e dedicados. Podem visitar nosso site para encontrar mais informações sobre a turnê 2013 www.hossameserenabrasil.com.br

 

Nosso objetivo com cada visita aos diferentes países é formar e acrescentar conhecimentos e habilidades aos dançarinos. Queremos um mundo da Dança do Ventre composto por dançarinos com a capacidade e o conhecimento que farão parte de um Renascimento, dando para esta arte a qualidade e o respeito que ela merece.

 

Hossam: Nosso método é o mesmo no mundo todo. Temos estado viajando desde 1997, ensinando, encenando e formando dançarinos e percussionistas ao redor do mundo, em lugares como Nova Zelândia, Japão, Ásia, Europa, USA, Chile, Argentina, Colômbia, Venezuela, México e nosso querido Brasil.

Quando a gente faz oficinas de dança, trabalhamos em duas frentes: Teórica e Prática.

 

Primeiro garantimos que os estudantes entendam tanto a filosofia da tradução musical quanto os ritmos e as origens da música que ensinamos. Depois, temos a parte prática, onde aprendemos os movimentos criados por Serena, como a coreografia, a qual está baseada na música e a reflete 100%. O propósito das coreografias não é simplesmente aprender os movimentos, a questão é como cada movimento tem a ver com a música, como expressar cada som com o corpo, além de entender os aspectos históricos da música.

 

Finalmente, não podemos esquecer o olhar criativo da Serena, que oferece seu próprio jeito, seu próprio estilo, dando uma especificidade a cada composição e fazendo a música tomar vida.

 

3. O trabalho de vocês enfoca bastante a importância do ensino da música (prática e teórica) para a formação das bailarinas. Por que este enfoque? O que a música representa para a Dança do Ventre? E como as bailarinas têm visto a música na dança?

 

Serena: O movimento começa com o som, a vontade de responder a um sentimento que o som provoca em você. Então a música fica no coração da dança. Não muitas pessoas gostariam de ir e observar a performance de uma dança silenciosa. Porém desde meu olhar, a gente se concentra na dança antes do que na música, mas nós abrangemos todas as partes da dança, não somente a parte do movimento. Todos os aspectos da música devem ser observados ou seria uma forma de arte incompleta.

 

A dança é a resposta física e emocional frente à música em forma de movimentos, esta deve ser executada com uma grande habilidade técnica, como a expressão correta da comunicação entre o artista e a música. (Serena Ramzy 2013)

 

Essa é a arte da dança em sua plenitude. Os dançarinos que entendem e podem aplicar esse conceito usam a música como sua fonte de inspiração e ferramenta primária.

 

Hossam: Sem a música, não existe a dança. Ainda que alguém dance sozinho sem música, imagina que existe um som que gera o movimento e você descobre, curiosamente, que o público fará um som na sua mente baseado nesse movimento.

 

Então, é o tempo de dizer claramente para todos os dançarinos do mundo:
SE SEUS MOVIMENTOS TRADUZEM A MÚSICA EM MOVIMENTO. LOGO ISSO É DANÇAR.
SE SEUS MOVIMENTOS NÃO TRADUZEM A MÚSICA... ENTÃO ISSO É OUTRA COISA.

 

Porém, meu desejo... Tenho a esperança de gerar um Renascimento no mundo da dança. Depois, eu me pergunto: como farei isso? Acho que preciso ensinar e formar os estudantes na arte da tradução musical e encenação.

 

Se eles vão dançar para traduzir a música, então devem entender isso muito bem e o porquê nossa filosofia está baseada nisso.

 

4. Vocês realizam este trabalho excelente em várias partes do mundo. Como é isso? Vocês conseguem perceber a diferença que ele causa? É possível acompanhar o resultado desta dedicação?

 

Serena: Muito obrigada. A gente faz viagens ao redor do mundo e compartilhamos nossa visão e treinamento através de um método de trabalho praticável. Nós, os estudantes e nós, atingimos resultados fantásticos. A gente pode observar certamente as mudanças na sua dança, a melhoria na musicalidade, tanto quanto a confiança em si mesmos. O ponto mais alto em qualquer coisa que você faz é o conhecimento e a prática dessa coisa. Nós enxergamos isso em nossos estudantes formados, vemos o desenvolvimento em nossos primeiros estudantes e observamos uma explosão de brilho nos dançarinos que participam em nossas oficinas.

 

A gente tem a sorte de encontrar estudantes muito dedicados, não importa onde eles moram, eles vêm nos procurar. Temos estudantes vindos para Inglaterra dos USA, Alemanha, Holanda, Irlanda, Brasil, Chile, Itália, Espanha, Portugal e muitos outros países. A dedicação é mútua.

 

Hossam: É muito simples. Na nossa escola, the Drumzy School Of Music & Dance, nós organizamos o trabalho em duas partes, a Música e a Dança. Nenhuma é mais importante do que a outra, as duas são estudadas com a mesma dedicação. Talvez você se pergunte o motivo. É porque nós queremos que os dançarinos entendam nosso método. Quando eles entendem, dá para pôr em prática os dados e as informações. Logo depois, eles estarão preparados para usar o aprendizado no seu próprio processo criativo, na sua própria dança.

 

Temos um grande sucesso ao redor do mundo, em todas as comunidades que mencionei. Agora muitos estudantes são educados tanto na dança quanto na música e têm a capacidade para traduzir a música e criar belas coreografias. Estou vendo belíssimas expressões, únicas e novas, criadas por nossos estudantes. Estou observando inovações vindas deles. Estou vivendo um sonho que se torna realidade.

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5. Quanto aos trabalhos coreográficos da Serena, o que te inspira? Como se dão estas criações?
Como eu mencionei, a música é minha primeira inspiração. O som me leva a criar e modelar novas formas que se assemelhem com os sentimentos que o som causa em mim. A música pode mudar seu humor, sua mente e seu corpo. Eu acho isso tão incrível!

 

Sou uma dançarina que dá o mesmo valor para a tradição e para os novos empreendimentos. Embora tenha certeza de que os novos empreendimentos só têm lugar quando você tem um conhecimento aprofundado da tradição. Porém sempre falo para os dançarinos a partir da “Idade de Ouro da Dança Egípcia”. Fiquei muito inspirada pela pura e simples beleza, habilidade, musicalidade e dignidade dos seus dançarinos. Quando observo-os, fico com vontade de dançar e ser uma melhor dançarina.

 

Como coreógrafa, gosto de incorporar um leque com elementos de diferentes procedências que representam diferentes sons, conceitos, ritmos e histórias em cada peça musical. Tudo isso dentro do olhar essencial da Dança Egípcia.

 

 Porém meu processo de criação de uma coreografia começa visualizando o som que vou caracterizar e analisando os vários movimentos e formas que representam o conteúdo do som. Eu termino uma peça quando pessoalmente sinto que tenho interpretado cada aspecto da música com o nível mais alto, com o melhor da minha habilidade. Eu não arrisco a mensagem da música pelo interesse de mostrar movimentos complexos e acrobáticos desnecessários. Aqueles movimentos podem ter seu lugar e traduzir o som, mas devem ter um lugar certo e um propósito definido.

 

 

6. A dança da Serena tem atenção especial aos movimentos de quadril de alto nível técnico. Como se dá este trabalho?

 
Serena: Obrigado pela pergunta e pelo elogio.

Pessoalmente tenho uma alta afinidade com esses movimentos porque eles são parte da minha própria cultura. De fato tento interpretar vários instrumentos musicais com diferentes movimentos e partes do corpo. Eu adoro usar minhas mãos e braços com os sons da flauta, meu corpo todo com os sons da orquestra, e meu quadril com a sanfona, violino e os ritmos.

Como já falei, eu desenvolvi um método de movimento que me faz capaz de pegar todos os sons da música. Trabalhei com exercícios específicos que deixam meu quadril livre para ir em qualquer direção que eu quiser, com qualquer intensidade que eu precise para ficar em sintonia com as notas da música.

Exercícios simples mas certos podem produzir resultados incríveis na técnica para a interpretação musical. É muito importante treinar forte neles para logo depois ter liberdade para criar tuas próprias traduções. É isso basicamente o que eu faço.

 

 

7. Gostaríamos que vocês falassem um pouco sobre a questão da Coreografia e do improviso na Dança do Ventre. Quais as relações entre ambas, quais as situações mais “adequadas” para cada uma, etc?

 

Serena: Coreografia e improvisação em minha opinião vão juntas.

Numa peça temos lugar para as duas. A dançarina precisa entender as partes da música para ser capaz de identificar quando seguir a coreografia e quando improvisar.

Essa é uma parte muito importante no processo de treinamento.

Pessoalmente gosto muito das duas e as uso na dança e nas aulas. A coreografia dá capacidade de previsão dos movimentos, possibilidade de criar traduções específicas com alta qualidade técnica. Enquanto a improvisação dá para a dançarina um ar fresco na interpretação das músicas e às vezes uma incrível criatividade!

 

Hossam: Se você ler meu artigo “Drumming 4 Dancers” na seção de “Articles” no meu site www.hossamramzy.com poderá ver que uma boa composição tem diferentes partes especiais coreografáveis e outras que devem ser improvisadas. É a mistura das duas práticas o que faz a dança excitante e atrativa. Se você for às nossas oficinas na “Tour De Brazil” em agosto, você aprenderá muito sobre a mistura e conseguirá entender ainda mais.

 

Embora, para 2014, estejamos planejando outra imersão “RAMZY IMMERSION COURS” organizada pela nossa irmã Dani Agnis. Todas as informações serão dadas quando a gente estiver no Brasil. Você deveria vir para nossa oficina se quiser aumentar seus conhecimentos e habilidades, assim como a compreensão das músicas e como traduzi-las. Vamos ter um nível muito alto. Basta perguntar para as dançarinas que participaram da primeira oficina que a gente fez em Americana no ano 2012.

 

Fiquei muito contente com os resultados e sei que agora que a gente já teve uma primeira experiência terá outra ainda melhor.

 

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8. O que as brasileiras podem esperar da turnê 2013 aqui?


Serena: Elas podem esperar muito conteúdo, qualidade e diversão.

Queremos trabalhar forte. Somos muitos sérios com o trabalho e as artes, muito dedicados, mas também gostamos de passar momentos legais com diversão, música e dança. Nesse sentido, primeiro temos a dança e logo depois o entretenimento. Vamos ter muito das duas coisas.

Vamos formar nossas estudantes sob os princípios da nossa escola, dando as ferramentas para a tradução musical, orientando-as na Música e na Dança Egípcia. Queremos voltar para as raízes e as origens que as farão entender como aumentar suas habilidades na interpretação musical.

 

Hossam: Diversão, diversão, diversão, diversão, diversão e mais diversão.
Vamos curtir demais, experimentado a arte da Dança Egípcia e aprendendo a usá-la para que vocês possam se expressar como mulheres do seu próprio jeito, com seus próprios sentimentos criativos.
 

Será uma oficina de dança do ventre dinâmica e cheia de potência. Será incrível dançar com Serena, fazendo as percussões junto com outros artistas, dançando nos shows com o melhor do melhor do Brasil durante a turnê.
 

Nesse momento, as dançarinas locais de cada cidade nos darão o prazer de participar da primeira metade do show, curtindo minhas músicas e nos deleitando com sua dança. Eu realmente curto muito os shows cada vez que a gente faz.

 

 

9. Se vocês forem resumir a Dança do Ventre em um parágrafo, o que diriam?

 

Serena: A dança do ventre é uma forma de arte que apresenta a beleza e a feminidade através do movimento, com a criação de belas formas que traduzem os sons encantadores da música, com o coração e a alma do Egito, assim como sua própria essência.

 

Hossam: Interpretação pessoal e tradução da música Egípcia.

  

10. Agradecemos imensamente a oportunidade de nos concederem esta entrevista. Damos as boas vindas a vocês ao Brasil e que as bailarinas daqui possam aprender e evoluir sua dança cada vez mais com vocês, Hossam e Serena.

 

Serena: A gente agradece seu pedido e é um prazer dividir com você e com as dançarinas do Brasil um pedaço do nosso mundo. Estamos muito animados por estar indo para lá e estender a família Drumzy ao redor do Brasil. Muito Amor. Serena.

 

Hossam: O prazer é nosso. Para a gente é uma honra e uma delicia voltar ao Brasil. Adoro o Brasil com o coração e sempre me sinto em casa quando fico com vocês.Desta vez vamos conhecer novos amigos e tentaremos que nossas visitas sejam mais regulares, num país que a gente realmente ama.

Com muito ritmo, Hossam.

Veja aqui quais datas e cidades você poderá fazer aula com estes grandes profissionais da Dança Oriental: http://www.hossameserenabrasil.com.br/  

 

 
  

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