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Cris Antoniadis: minha história na Dança

Escrito por Equipe CDV

 

 

Como foi sua aproximação com a Dança do Ventre? Quando você a conheceu, se apaixonou, começou a praticar?

Tenho contato com a dança do ventre desde muito pequena pois sou de origem grega e temos o costume de ter bailarinas de dança do ventre nos nossos eventos assim como o tsifteteli (dança popular semelhante à raksa) faz parte da nossa cultura. Minha primeira memória mais forte foi aos meus 6 anos de idade, quando morei na Grécia, e vi uma bailarina em uma taverna em posição de queda turca mexendo moedas em seu ventre, ela vestia um traje vermelho, tinha cabelos escuros e eu fiquei encantada, acho que minha paixão nasceu aí.

 

Até os meus 19 anos dançava apenas o tsifteteli nas festas e reuniões familiares, e amava a liberdade e entrega que eu sentia quando dançava este estilo, tinha muita vontade de me aprofundar e foi quando iniciei minhas aulas regulares de dança do ventre com a professora Cláudia Parolin.

 

 

E como você passou a trabalhar com a Dança do Ventre?

A dança sempre foi uma paixão, eu iniciei dançando e me apresentando em grupos folclóricos da comunidade grega desde muito pequena. Concluí meus estudos, me formei em administração e trabalhava em auditoria, a dança era uma paixão paralela, um hobby que eu amava mais do que tudo e que levava com muito amor e seriedade. Houve um período que me afastei totalmente da dança, mas fiquei muito infeliz e já estava muito frustrada profissionalmente. Após muitos tropeços e vira voltas em minha vida comecei a trabalhar única e exclusivamente com dança do ventre em 2009. Foi a dança que invadiu a minha vida num momento que eu estava nas sombras, ela me salvou de uma depressão e eu agarrei ela com força, decidi que seria feliz.

 

 

Qual é seu trabalho na Dança? Você tem escola, é bailarina, professora, vende véus de seda, faz fotos?

Sou professora, bailarina, proprietária de escola, coordenadora de cursos, produtora de eventos, youtuber e ainda confecciono os meus figurinos.

 

 

Como foi o início deste trabalho?

Foi sacrificante financeiramente, aliás, ainda é, mas foi muito intenso. De 1998 a 2003, eu lecionava aulas em academias e espaços de dança e também fazia shows, mas a dança neste período não era minha atividade principal pois eu trabalhava com auditoria. Eu tinha que abrir mão de muita coisa relacionada a dança devido à minha profissão. Em 2004, eu e o Sami Bordokan (meu marido) idealizamos e abrimos o Café Aman, um misto de taverna greco/árabe com shows. Nesta época, por incrível que pareça fiquei apenas na produção de eventos e parte administrativa pois não tinha como dar conta de “alimentar” minha bailarina, o trabalho de administrar uma casa de shows e restaurante consome muito, ficou inviável, me afastei completamente do meu lado professora e bailarina. Engravidei em 2006 e em 2007 nos desfizemos do negócio, e fiquei apenas me dedicando a ser mãe e dona de casa. Em 2009 voltei a dar aulas e fazer shows e em 2010 abri meu próprio espaço de dança, o Pandora Danças, o qual mantenho até hoje.

 

 

Você trabalha só com Dança do Ventre ou tem mais alguma profissão junto?

Desde 2009 trabalho exclusivamente com dança do ventre.

 

 

 

A que você atribui seu sucesso no trabalho com a Dança?

Se sucesso é ser feliz com o que eu faço, posso sim me considerar uma pessoa de sucesso. Por este ponto de vista eu atribuo esse “sucesso” ao amor que tenho pelo o que faço. Para mim, trabalhar é um grande prazer, não tenho preguiça de dançar e de dar aulas. Não reclamo que o “final de semana” acabou, mesmo porque, quem trabalha com dança sabe muito bem que não temos finais de semana. Acho que a grande fórmula é se dedicar de corpo e alma e amar o que se faz, levar a dança com seriedade e respeito. Abrir mão de coisas em prol da dança, e claro, ter talento, aptidão para a coisa, mas só isso não basta. O resto é consequência.

 

 

O que você mais gosta no seu trabalho com Dança? O que te motiva, te inspira, te faz seguir adiante?

Não sei dizer o que eu mais gosto, acho que gosto mesmo é de dançar. Sou muito feliz quando ensaio, quando monto um show, quando passo meus conhecimentos adiante, quando estudo e descubro coisas novas, quando vejo as alunas se desabrochando, quando percebo que fiz a diferença para a alguém. Perceber que a linguagem da dança, através de uma aula ou apresentação fez um bem para alguém é algo impagável.

 

 

E quais dificuldades você encontra nesta jornada de Empreender na Dança?

Acho que a maior dificuldade é a financeira, que vem em consequência de outras dificuldades como o preconceito e a falta de reconhecimento. Estamos vivendo uma época na qual a arte é considerada algo supérfluo, os valores das mensalidades e os cachês de shows tem ficado cada vez menores em contrapartida de um aumento muito maior nos preços gerais. Outra dificuldade que tenho encontrado é a falta de público. Antigamente as alunas e as pessoas de forma geral prestigiavam os shows apenas pelo prazer de assistir, hoje, estamos na geração da selfie, as alunas e o público não querem mais prestigiar, eles querem executar, eles querem ser as estrelas, mas muitas vezes ainda não estão preparados para tal o que acaba baixando muito o nível de qualidade da nossa arte e afastando o público admirador. Um bom exemplo disso é a seguinte situação que tenho percebido com certa frequência: antigamente uma pessoa nos contratava para dançar em seu evento, hoje as pessoas querem nos contratar para montar uma coreografia e ensaiá-las para que elas dancem nos seus próprios eventos. Outra situação corriqueira é que antigamente fazíamos eventos apenas com profissionais da dança e o evento lotava de alunos e admiradores da arte, hoje, se não tiver alunos dançando no evento ninguém vai.

 

 

Você anuncia seu trabalho no Central Dança do Ventre há algum tempo. Que papel o Central tem no sucesso do seu trabalho com a Dança?

O Central Dança do Ventre é um grande parceiro meu que não pretendo largar. Além de ao anunciar no site do Central nos possibilitar aparecer nas buscas da internet, vcs sempre estão nos dando suporte em todos os sentidos no quesito divulgação, seja orientando ou reinventado métodos. Estão sempre presentes, atendem prontamente às nossas necessidades e possuem muita iniciativa em sugerir e contribuir, estão sempre atentos para as mudanças tecnológicas e de mercado. Acredito que tudo isso contribui muito para um trabalho de sucesso, pois há uma parceria completa e um interesse genuíno da parte de vcs em relação a nós anunciantes. Acredito que vcs amam o que fazem, assim como amo dançar, e essa união já é um sucesso.

 

 

Tem mais alguma coisa que queira contar, falar, sugerir, indicar?

Gostaria de dizer que nós bailarinas, produtoras e professoras precisamos nos unir no sentido de valorizar a nossa arte. Eventos particulares como casamentos, aniversários, festas de empresa e outros não podem ser executados por alunos, não podem ser executados sem cachê. Bares e restaurantes não podem colocar amadores para dançar em eventos regulares que são abertos ao público geral. Nós profissionais precisamos orientar nossos alunos neste quesito. Dançar em eventos particulares, bares, restaurantes e etc é muito diferente de dançar em festivais de dança, não dá para colocar no mesmo balaio. Se continuarmos neste caminho teremos cada vez mais amadorismo e cada vez mais menos público e interessados em nos contratar para eventos e aulas. Fica a dica!

 

 

 

 

 

 

Cris Antoniadis é bailarina, professora, propiretária do Pandora Danças em São Paulo - SP. Organizadora do Danças do Oriente.

 

 


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